Israel, Rússia.

Os russos invadem Israel

O veterano de guerra russo Vimer Bariz Samuelovich pôs suas três medalhas de bravura no peito, e fugiu. Rendido à crise econômica na Rússia, ele voou 2.117 km de Kiev até a “outra Rússia prosperando por ser o destino do êxodo de 850 mil russos desde 1987 – o início do fim do império soviético. Um pioneiro russo de Plonsk, David Gruen, mudou de nome ao chegar, em 1906, e o aeroporto foi batizado em sua homenagem: David Ben-Gurion. O cartaz em caracteres cirílicos dá “boas-vindas ao lar”. Os funcionários da imigração falam russo. A música de fundo é russa. As moças do café grátis são russas. O jornal, russo. E os israelenses riem da piada: “o hebraico está rapidamente se tornando a segunda língua em Israel”.

   Uma das medalhas de Samuelovich é a General Jukov. As outras são das duas guerras mundiais. Mas num país de milhares de heróis de 50 anos de guerras, elas apenas simbolizam a principal característica dos imigrantes das 15 ex-repúblicas soviéticas, todos recebidos como “russos”: o sentimento de superioridade. O sovietólogo Amnon Sela parodia os russos: “Nós temos uma grande e rica cultura, e vocês, nenhuma”. Eles não se submetem, como os imigrantes etíopes ou marroquinos; impõem-se. Também não se integram; conquistam direitos. “E por que deveríamos nos integrar?” – pergunta um antigo dissidente soviético, Eduard Kuznetsov, hoje editor do jornal russo mais popular de Israel, Vesti (Notícias). “Se somos muitos podemos lutar para manter nossa própria cultura”.

   Aos 73 anos, Samuelovich ostenta suas medalhas na sala do aeroporto lotada com 500 russos. Todos esperam ser chamados para dentro das 15 baias onde terão os nomes digitados num banco de dados, receberão uma carteira de identidade, seis meses de assistência médica gratuita e ajuda imediata em dinheiro, mais um carnê para uma retirada mensal em banco que ainda inclui benefícios para o primeiro ano em Israel. Para cada família de quatro pessoas, US$ 540 na hora e o equivalente a US$ 10 mil em 12 meses. Aos aposentados, aposentadoria. Aos doentes, hospitalização. Para todos, cursos intensivos de hebraico. A única condição para imigrar é a de ser judeu. Mas “exceto por algumas frases em iídiche, a maior parte dos judeus russos não conhece nada da vida judaica, nada do judaísmo e nem é sionista”, diz uma funcionária do Ministério do Trabalho, Nitza Zvi. “Seus filhos, porém, não serão diferentes dos nossos”, ela acrescenta.

   Como as medalhas de Samuelovich, muitos exibem colares com grandes estrelas de David, o entrelaçado de dois triângulos com seis pontas, o símbolo judaico. Tão à mostra, provocam suspeitas, ao invés de dirimi-las. Um jovem russo morto num recente atentado palestino em Jerusalém não pôde ser enterrado como judeu, por decisão do Rabinato. Um quarto dos russos israelenses não seria considerado judeu pela Lei Judaica: “judeu é todo aquele nascido de mãe judia”. A Organizatsiya, a máfia russa que já abriu filial em Israel, consegue “cobertura judaica” para quem quiser imigrar. Assim exportava gângsteres para Nova York ao tempo em que as portas da União Soviética estavam fechadas à imigração. E hoje envia prostitutas para as ruas de Tel-Aviv, ou “mensageiros” com malas de dinheiro ilegal para ser depositado no seguro sistema bancário israelense.

O visto para sair da União Soviética

O visto para sair da União Soviética

Samuelovich era gerente de loja, em Kiev. “Lá estava muito duro viver”, reclama. “Não tinha mais dinheiro”. A sua experiência de soldado deixou de ser compatível com as guerras sofisticadas travadas por Israel. Nem a idade permitiria um voluntariado. Então, o que vai fazer? Ele espera saber a resposta depois que aprender hebraico. O filho que imigrou há três anos dá aulas de educação física e poderá ajudá-lo. De condecorado à dependente, ele não perde a pose: estufa o peito, e tilintam as medalhas.

   Houve tempo, no início da década de 90, que o imigrante russo que não descesse do avião com um violino, então era médico. No hospital de Barzilai, perto de Ashkelon, a maioria da equipe é russa, mesmo os chefes de cirurgia e da área de oncologia. Estudantes de medicina russos trocam de carreira para evitar o mercado congestionado de Israel. Uma orquestra, a Andaluza, orgulho dos judeus expulsos de Portugal e Espanha em 1492 e 1496, os sefardins, já está tomada por russos. A diretora do conservatório de Ashdod, Hanita Zvevner, tem num caderno os nomes de 60 professores russos esperando vaga. “Não há alunos para todos!” Do dilúvio de oito mil imigrantes violinistas e pianistas, três mil foram empregados. Quando a Filarmônica de Israel apresentou “1812”, de Peter Ilyich Tchaikovsky, na praça Rabin, em Tel-Aviv, o público falava russo. Em 1989, menos do que 700 mil espectadores foram a concertos em Israel. Mas em 1994, com a chegada de 500 mil russos, o público passou a ser de 1,1 milhão.

   O flautista e saxofonista Vladimir Devorskin chegou de Moscou há três meses. Está tocando no calçadão de Jerusalém. Decepcionado? Vai voltar? “Yeltsin bandit, bandit”, xinga. Se tocasse numa rua russa, a Organizatsiya apareceria para cobrar pedágio. “Pelo menos aqui a máfia não assumiu o controle”. O organista Ariel, também moscovita, está conformado em viver de esmolas. Fez uma dupla com Devorskin para tocar algo brasileiro em homenagem ao repórter. E atacou “La cucaracha”… Ao lado, Ida Guershkah, de 72 anos, não toca nem canta: oferece antigas canções em iídiche num velho gravador quase sem som. Mas se diz feliz: “Tenho assistência médica de graça sempre que preciso”. E recebe “um dinheirinho” do governo.

   Os russos estão russificando Israel. Já são um quinto dos 5,9 milhões de israelenses. E continuam a chegar ao fluxo médio de 150 por dia, 5 mil por mês. A fábrica de chips da Intel em Haifa, que só tinha um único russo em 1983, agora tem 150. E o pioneiro, Mikhail Kagan, é hoje o chefe do departamento de microprocessadores. Com 600 mil eleitores, os russos decidiram a queda de Yitzhak Shamir, do Likud, em 1992, e elegeram Binyamin Netanyahu, do Likud, em 1996, rejeitando um aprendiz público de russo, o trabalhista e Nobel da Paz Shimon Peres. O partido Israel Ba’Aliya já fez os ministros Anatoly Sharansky (Indústria e Comércio) e Yuli Edelstein (Imigração e Absorção). E tem sete deputados. Os judeus russos são de direita. Minoria na antiga União Soviética, eles não se identificam com a outra minoria do Oriente Médio, os palestinos. O editor do Novosti Nidli (Notícias da Semana), Dmitri Ladizhinsky, justifica assim uma opinião geral russa sobre a troca de territórios ocupados pela paz: a ex-União Soviética, 28 mil vezes maior do que Israel, não devolveu ao Japão as ilhas Kural, tomadas na Segunda Guerra Mundial, agora 1% do território russo. “Então, é difícil entender por que os israelenses deveriam devolver mais de 10% de seu país – e para inimigos”.

   O soldado Nicolai tem uma visão mais próxima dos palestinos, por servir na Cisjordânia. “Em multidão, são perigosos, mas sozinhos nos convidam até para cafezinhos”. Só agora, com Bibichicov Netanyahu (Netanyahuzinho), é que há processo de paz”. Pai químico, ele vai estudar engenharia de computação e namora uma russa, embora neste momento, na praia de Ashdod, esteja paquerando uma loura cor de neve da Sibéria. Por que não uma israelense? “Mentalidades muito diferentes”, diz. O ministro Sharansky, trocado por espiões soviéticos depois de preso por nove anos, diz que o êxodo russo alterou o sionismo, que deixou de ser o caldeirão em que todos os diferentes judeus eram misturados. “Temos agora judeus russos, judeus americanos e judeus marroquinos, e queremos suas tradições e conhecimentos: Israel tem que se tornar a pátria de todos os judeus”.

Como as medalhas de Samuelovich, muitos exibem colares com grandes estrelas de David, o entrelaçado de dois triângulos com seis pontas, símbolo judaico. Tão à mostra, induz suspeitas, ao invés de dirimi-las. Um jovem russo morto num recente atentado palestino em Jerusalém não pôde ser enterrado como judeu, por decisão do rabinato. Um quarto dos russos israelenses não seriam considerados judeus pela Lei Judaica: “judeu é todo aquele nascido de mãe judia”. A Organizatsiya, a máfia russa que já abriu filial em Israel, consegue “cobertura judaica” para quem quiser imigrar. Assim exportava gângsteres para Nova York ao tempo em que as portas da União Soviética estavam fechadas à imigração. E hoje envia prostitutas para as ruas de Tel-Aviv, ou “mensageiros” com malas de dinheiro ilegal para ser depositado no seguro e curioso sistema bancário israelense.
Samuelovich era gerente de loja, em Kiev. “Lá, estava muito duro viver”, reclama. “Não tinha mais dinheiro”. A sua experiência de soldado deixou de ser compatível com as guerras sofisticadas travadas por Israel. Nem a idade permitiria um voluntariado. Então, o que vai fazer? Ele espera saber a resposta depois que aprender hebraico. O filho que imigrou há três anos dá aulas de educação física e poderá ajudá-lo. De condecorado à dependente, ele não perde a pose: estufa o peito, e tilintam as medalhas.
Houve um tempo, no início da década de 90, que o imigrante russo que não descesse do avião com um violino, então era médico. No hospital de Barzilai, perto de Ashkelon, a maioria da equipe é russa, mesmo os chefes de cirurgia e da área de oncologia. Estudantes de medicina russos trocam de carreira para evitar o mercado congestionado de Israel. Uma orquestra, a Andaluza, orgulho dos judeus expulsos de Portugal e Espanha em 1492 e 1496, os sefardins, está tomada por russos. A diretora do conservatório de Ashdod, Hanita Zvevner, tem num caderno os nomes de 60 professores russos esperando vaga. “Não há alunos para todos!” Do dilúvio de oito mil imigrantes violinistas e pianistas, três mil foram empregados. Quando a Filarmônica de Israel apresentou “1812”, de Peter Ilyich Tchaikovsky, na praça Rabin, em Tel-Aviv, o público falava russo. Em 1989, menos do que 700 mil espectadores foram a concertos em Israel. Mas em 1994, com a chegada de 500 mil russos, o público passou a ser de 1,1 milhão.
O flautista e saxofonista Vladimir Devorskin chegou de Moscou há três meses. Está tocando no calçadão de Jerusalém. Decepcionado? Vai voltar? “Yeltsin bandit, bandit”, xinga. Se tocasse numa rua russa, a Organizatsiya apareceria para cobrar pedágio. “Pelo menos aqui a máfia não assumiu o controle”. O organista Ariel, também moscovita, está conformado em viver de esmolas. Fez uma dupla com Devorskin para tocar algo brasileiro em homenagem ao repórter. E atacou “La cucaracha”… Ao lado, Ida Guershkah, de 72 anos, não toca nem canta: oferece antigas canções em iídiche num velho gravador quase sem som. Mas se diz feliz: “Tenho assistência médica de graça sempre que preciso”. E recebe “um dinheirinho” do governo.
Os russos estão russificando Israel. Já são um quinto dos 5,9 milhões de israelenses. E continuam a chegar ao fluxo médio de 150 por dia, 5 mil por mês. A fábrica de chips da Intel em Haifa, que só tinha um único russo em 1983, agora tem 150. E o pioneiro, Mikhail Kagan, é hoje o chefe do departamento de microprocessadores. Com 600 mil eleitores, os russos decidiram a queda de Yitzhak Shamir, do Likud, em 1992, e elegeram Binyamin Netanyahu, do Likud, em 1996, rejeitando um aprendiz público de russo, o trabalhista e Nobel da Paz Shimon Peres. O partido Israel Ba’Aliya já fez os ministros Anatoly Sharansky (Indústria e Comércio) e Yuli Edelstein (Imigração e Absorção). E tem sete deputados. Os judeus russos são de direita. Minoria na antiga União Soviética, eles não se identificam com a outra minoria do Oriente Médio, os palestinos. O editor do Novosti Nidli (Notícias da Semana), Dmitri Ladizhinsky, justifica assim uma opinião geral russa sobre a troca de territórios ocupados pela paz: a ex-União Soviética, 28 mil vezes maior do que Israel, não devolveu ao Japão as ilhas Kural, tomadas na Segunda Guerra Mundial, agora 1% do território russo. “Então, é difícil entender por que os israelenses deveriam devolver mais de 10% de seu país – e para inimigos”.
O soldado Nicolai tem uma visão mais próxima dos palestinos, por servir na Cisjordânia. “Em multidão, são perigosos, mas sozinhos nos convidam até para cafezinhos”. Só agora, com “Bibichicov Netanyahu” (Netanyahuzinho),  “é que há processo de paz”. Pai químico, ele vai estudar engenharia de computação e namora uma russa, embora neste momento, na praia de Ashdod, esteja paquerando uma loura cor de neve da Sibéria. Por que não uma israelense? “Mentalidades muito diferentes”, explica. O ministro Sharansky, trocado por espiões soviéticos depois de preso por nove anos, diz que o êxodo russo alterou o sionismo, que deixou de ser o caldeirão em que todos os diferentes judeus eram misturados. “Temos agora judeus russos, judeus americanos e judeus marroquinos, e queremos suas tradições e conhecimentos: Israel tem que se tornar a pátria de todos os judeus”.
Na pequena Rússia que está dando certo já foi formado o grupo teatral Gesher (Ponte, em hebraico), um sucesso absoluto em Israel já exportado para os Estados Unidos e a Europa. Dos nove israelenses convidados para uma conferência de matemáticos em Berlim, sete eram imigrantes russos. Cidades viraram canteiros de obras com o êxodo, atualmente estabilizado em 150 novos imigrantes cada dia. As medalhas de ouro das Olimpíadas da Língua Russa, em Moscou, foram conquistadas por três russos-israelenses. E em Beersheba, no deserto do Neguev, onde está enterrado David Ben-Gurion, há mais mestres de xadrez do que na própria Rússia.

Ben Gurion e Golda Meir, dois russos que foram primeiro-ministro em Israel.

Ben Gurion e Golda Meir, dois russos que foram primeiro-ministro em Israel.

Pousa mais um avião de russos no aeroporto Ben-Gurion. Agora surge o físico nuclear Marek Kiesler, viúvo de 52 anos, que chama atenção, como as medalhas de Samuelovich, porque carrega uma gaiola coberta com pano. Ele também está fugindo da crise econômica. Mas não quis abandonar Gosho, seu papagaio do Kazaquistão. Os imigrantes russos são como a bonequinha típica russa, a matriosca: aberta, tem outra boneca que se abrirá em outras bonecas, e assim 450 mil vezes mais, por um cálculo da Agência Judaica.

A Rússia de Bnei Ahish

A praça Menachem Beguin com a avenida Yitzhak Rabin, em Bnei Ayish, ao sul de Tel-Aviv, seria um cruzamento político improvável. Povoada de casais de velhinhos que não falam uma palavra de hebraico, só russo, é ainda mais impressionante. No quadro público de avisos, os anúncios são escritos em alfabeto cirílico. No shabat, o descanso religioso que fecha tudo em Jerusalém, a “delicatessen” Arbat está aberta.

Arbat, o calçadão mais famoso de Moscou, aqui é um mercadinho, com arroubo de delicatessen. Vende caviar a 200 shekalim o quilo (R$57), meio litro da vodca Dougan por 35 shekalim (R$10), e também vobla, o peixe salgado parecido ao bacalhau. No balcão, a proprietária Anette Freiberg, que imigrou da Rússia em 1992, com 15 anos, atende a todos em russo. E serve de intérprete entre o gueto russo e israelenses.
Os russos começaram a chegar a Bnei Ayish na leva de Freiberg. Havia então 1500 habitantes, a maioria imigrantes que vieram do Iêmen nos anos 50. Em pouco tempo, ocuparam a cidade: hoje os russos são 2/3 dos 7 mil habitantes. Agora tomarão o poder, elegendo o prefeito nas eleições de novembro. Será Grigory Lifshits, que foi membro do Partido Comunista em Moscou. Entre a minoria iemenita e a maioria russa restou certa tensão. Quando quer xingar, um iemenita diz: “russo!” A réplica, em geral: “árabe!”

Os refuseniks

Brailovsky, Sharansky, Kuznetsov... Foram centenas de refuseniks.

Brailovsky, Sharansky, Kuznetsov… Foram centenas de refuzeniks

Acabou a União Soviética, mas Eduard Kuznetsov mantém-se refusenik – um contestador. Nos anos 70, ele planejou o sequestro de um avião para Israel, com 15 outros dissidentes, mas foi descoberto e preso pela KGB. Ao recobrar a liberdade e o direito de viajar, saindo de um campo de trabalho forçado, continuou contestando pelo microfone da rádio russa Liberdade, montada pelos Estados Unidos em Munique, na Alemanha.

Há mais de 15 anos em Israel, planejou um segundo sequestro – e foi bem-sucedido. Saiu do primeiro jornal russo-israelense, Vremya (Tempo), fundado pelo barão inglês dos jornais, Robert Maxwell, para dirigir Vesti (Notícias), sequestrado quase toda a equipe. Vesti é hoje o quarto jornal mais vendido em Israel, o primeiro em russo, já preparando edições para a Rússia, onde hoje chega com dois dias de atraso, e para as comunidades russas nos Estados Unidos, Europa e Austrália. Está com a tiragem de 60 mil e se gaba de ser independente, embora publique muitos artigos de políticos ligados ao partido Meretz, da esquerda liberal.

Na sua salinha escura do Vesti, em Tel-Aviv, Kuznetsov confirma ser ainda um refusenik. Quando sondado sobre preferências políticas, não cai em nenhuma dissertação. “Não voto por ninguém”, diz secamente. Se está feliz em Israel, para onde quis vir em avião sequestrado? “Ainda não estou pronto para ser israelense”. Os imigrantes russos devem se acrescentar a Israel, não se integrar. Para falar sobre o futuro imediato da Rússia, ele adota um tom funéreo: “A Rússia não pagou ainda pelo passado comunista, e vai correr sangue”.

Putin (foto: Time of Israel)

Putin (foto: Time of Israel)No Kremlin israelenseKremlin, em Israel.

No Kremlin de Jerusalém

(Entrevista com ministro de Imigração e Absorção Yuli Edelstein, 40 anos, fundador do partido Israel Ba’Aliya, em 1960, e assessor por um ano, de 1993 a 94, do então líder da oposição e hoje primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, do Likud. Ele vive numa colônia da Cisjordânia, Alon Shvut, com a mulher e dois filhos. Edelstein é de Chernovitz, na antiga União Soviética, e foi um “Prisioneiro de Sion”, em Moscou, de 1984 a 87, quando imigrou para Israel. Eleito em maio de 1996 para o Parlamento, Netanyahu o nomeou ministro da Absorção um mês depois, em junho. É formado em línguas em Moscou).

— Os russos continuam imigrando para Israel? Qual a situação hoje?
Yuli Edelstein: Os russos continuam chegando. Recebemos no ano passado, da antiga União Soviética, cerca de 54 mil novos imigrantes. Da Rússia mesmo chegaram 15 mil. Hoje, por causa da situação econômica russa, estamos esperando um crescimento na imigração.
— Quantos judeus podem ainda imigrar da ex-União Soviética?
Edelstein: Cerca de mais 1 milhão.
— Israel terá ao todo 2 milhões de russos?
Edelstein: Depende… Não creio que todos quererão vir para Israel. O potencial é grande. Hoje, o candidato a imigrante sabe tudo que o espera antes mesmo de partir. Então, a forma como o absorvemos aqui, ou o estado de nossa economia, influencia muito a decisão de vir ou não.
— O que os potenciais imigrantes sabem de Israel, hoje, é sedutor?
Edelstein: Sim, quando eles têm todas as informações sobre Israel, ficam propensos a imigrar.
— Muita gente tem procurado o consulado de Israel em Moscou para imigrar?
Edelstein: Não estamos falando ainda de massas. Mas há um grande aumento de pessoas buscando informações.
— Já 1/5 da população, como os russos estão mudando Israel?
Edelstein: Eles influenciam muito, e de várias formas. A economia israelense parece hoje muito diferente por causa desta onda imigratória. Esses 15% adicionais da população impulsionaram a nossa economia principalmente por conter um grande número de profissionais altamente qualificados. Tornou possível o desenvolvimento do setor high tech. Mas ainda tem outra influência. Nas cidades em desenvolvimento do deserto do Neguev e da Galileia, uma situação totalmente diferente está criada, pois 25% de sua população são de novos imigrantes. Eles pesam nas decisões sobre educação, esportes e vida cultural. Se você falar com qualquer prefeito de uma dessas cidades, ouvirá o mesmo: tudo está completamente diferente do que era há dez anos.
— E em política? Como os russos influirão nas eleições municipais de novembro?
Edelstein: Teremos (o partido Israel Ba’Aliya) 78 membros de prefeituras, alguns serão vice-prefeitos e em um ou dois lugares elegeremos o prefeito.

(Esta reportagem foi publicada em 1999, na revista Época.)

   

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