O show seca jato de Jucá

 

As edições carioca e paulista do Lance entram em campo hoje falando também para os torcedores políticos. “PARA ESTANCAR A SANGRIA”, manchete do que circula em SP, não deixa dúvidas: a frase foi dita por Romero Jucá para secar a Lava Jato. Mas ela serve também para o Corinthians. Ótimo. “Olha o pacto!”, ainda reforça um subtítulo, abrindo a chamada. O Lance do Rio talvez não tenha cravado sua manchete intencionalmente política: “VAI SOBRAR PRA ALGUÉM”. No campo político, policial e judicial é claro que alguém vai pagar o pato, e não será a Fiesp. O mesmo gravador premiado que fulminou Jucá conversou também com Renan, Sarney e outros luminares do Congresso. Vai sobrar para quem agora? Nesse caso, pode ser interpretação minha. Que o pessoal de esportes não queira ficar de fora, eu admiro. Mesmo no banco de reservas, sinto coceira nos dedos para entrar no jogo.

O restante dos jornais e jornalões não fugiu ao padrão do dia a dia. Nenhuma manchete sobressai do conjunto em torno do áudio exterminador. O Jornal de Santa Catarina esboçou um calendário para realçar que a primeira séria crise do governo Temer demorou apenas 12 dias para implodir. O Povo, do Ceará, destaca um detalhe: “Cearense é pivô do primeiro escândalo do governo Temer”. (Há quem discorde, lembrando que o pivô estreante caiu da boca de Renan, enquanto ele concedia uma entrevista coletiva). Brincadeira à parte, o gravador premiado Sérgio Machado é do Ceará, e daí O Povo requisitar certa intimidade com o escândalo, ele que reclamou que não havia cearense no governo Temer, quando anunciado o ministério. Jornais que trataram a queda de Jucá como segundo ou terceiro assunto do dia, ou que anunciam hoje que o que aconteceu foi apenas licenciamento, ficaram de fora do slideshow da seleção de capas, exibido abaixo.

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Capas do impeachment

O sempre criativo Correio Braziliense inspirou-se na “carta fora do baralho” com que Dilma se equiparou. Lembrou o tempo em que os EUA tinham um “baralho” a eliminar no Iraque. Depois da bela capa que rompeu o padrão gráfico do Estadão, no domingo, a de segunda é de novo um poster. Difícil superar o próprio sucesso, day after. O Hoje em Dia agigantou o número 367, o de votos contra a presidente Dilma, que aparece com a faixa. Interessante. O Jornal de Santa Catarina fez uma bela capa, tão minimalista e com espaços brancos quanto a Gazeta do Povo no domingo. Mas ficará sherlock para muitos leitores, tão abstrata, assim à primeira vista, se antes não for lido o texto que a explica. Fala “Em Transformação”, ilustrada por um casulo. Nada mais, nem foto da sessão da Câmara ou de povo nas ruas. Ousado, sim. Mas sou de uma escola de diagramação em que visual que requer explicação textual não será bem sucedido. A Folha e o Liberal empataram na manchete de uma única palavra: IMPEACHMENT. O Notícias do Dia, de Florianópolis, usou um recurso guardado para momentos históricos: uniu capa e contracapa, com uma foto enorme.

O The New York Times e Washington Post deram manchete com Dilma, mas daquelas envergonhadas, uma coluna do lado direito, tipologia pequena. Manchetes grandes sobre o Brasil saíram em três jornais argentinos. E também no México e na Nicarágua.

Jornais nacionais

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 Jornais internacionais

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