Salvador, 14º lugar mundial

O jornal The New York Times publica sua lista anual dos 52 lugares do mundo que merecem a visita de turistas este ano de 2019. O primeiro “paraíso” é a ilha de Porto Rico, recuperada do furacão Maria que a devastou no ano passado. O segundo lugar coube a Hampi, na Índia, uma das mais ricas cidades do mundo no século XVI. Lá estão mais de mil monumentos preservados, incluindo templos hindus. Santa Barbara, na Califórnia, ganhou o terceiro lugar. Salvador, na Bahia, o 14º, é o único destino brasileiro recomendado. Paris? Não. Na França, o quente deste ano são Lyon e Marseille. Para mim, a surpresa é o Irã, recomendado apesar do perigo de guerra ou conflito interno permanentes. Vale a pena dar uma olhada: texto bom, fotos ótimas. Link: /www.nytimes.com/interactive/2019/travel/places-to-visit.html?em_pos=large&emc=edit_tl_20190112&nl=travel-dispatch&nlid=33543102edit_tl_20190112&ref=headline&te=1

Trump trabalhou para os russos?

(O FBI está investigando, segundo o The New York Times de hoje).



Um livro a cada 12 minutos

Entrou na APPStore um programa que resume livros a 12 minutos de áudio. O resumo pode vir em texto também. Os comentários de quem baixou o “12min” são, até agora, elogiosos. Logo teremos uma geração que leu todos os clássicos, mas dessa forma, rasteira.

Novo na Banca

Dando bandeira

Esta Bandeira do Voto Popular foi desenhada pelo programador Toph Tucker (ex-Businessweek, Twitter, GituHub, Medium…) com um algoritmo que decide o tamanho das estrelas e das listras segundo o número de habitantes dos 50 estados (estrelas) e das 13 colônias originais (listras) que declararam independência do Reino Unido. (via Kottke.org)

Criar asas, e partir.

Aproveito a ideia do escritor japonês Sebuyama, para a revista Kakaku, e crio asas para voar em férias por dez dias. Pousarei num local sem wifi e sinal celular. Até a volta.

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Fotos de drones campeãs

Este foi o quinto concurso de fotos tiradas com drones. Dronestagram, o seu nome. Mais fotos podem ser vistas aqui: http://www.dronestagr.am/

E se Bibi cair em Israel?

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R7.com

O descoberto “irmão” do presidente Jair Bolsonaro corre perigo: o primeiro-ministro de Israel, Bibi Netanyahu, se indiciado por corrupção antes das eleições que ele próprio antecipou para março, deverá renunciar e não se recandidatar para um quinto mandato. Esta é a opinião de 51% dos israelenses que responderam a uma pesquisa exclusiva do jornal The Jerusalem Post, divulgada hoje, 3/1/2019. Para outros 24%, ele, que é o candidato favorito, poderá, sim, concorrer. E 24% não sabem ainda o que responder.

A expectativa em Israel é de que o procurador-geral Avichai Mandelbit indicie Bibi, o “Rei Bibi” de um filme pronto, depois que ele depuser em fevereiro. O caso de agora, o terceiro, tem a ver com benefícios concedidos à maior companhia de telecomunicação israelense, Bezeq, dona do popular site de notícias Walla, em troca de cobertura positiva, para ele e a esposa, Sara. Por lei, Bibi pode continuar sua vida pública, até ser preso. Há precedentes: um ex-primeiro-ministro e um ex-presidente já cumpriram penas em cadeia.

Os abraços de Bolsonaro e a aclamação de evangélicos em Brasília reforçam a imagem de Bibi, uma preciosidade para a campanha eleitoral. Mas se Bibi não for mais o premiê de Israel em março, como sobreviverá a irmandade brasileiro-israelense? O candidato em segundo lugar, com 14% dos votos, é um ex-chefe da IDF (Força de Defesa de Israel), Benny Gantz, seguido de Yair Lapid, 9%, e de Naftali Bennett. Em último lugar, com 4%, está o líder trabalhista, Avi Gabbay. Nenhum deles irá desprezar a amizade e o apoio do Brasil, mas talvez não concordem com tudo que foi prometido por Bibi.

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Todas as capas do Presidente

 

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No The Wall Street Journal, o casal Bolsonaro, desfilando de Rolls Royce, foi a foto do alto da primeira página. No El Observador, uruguaio, a foto do presidente agitando a bandeira do Brasil no Parlatório virou pôster, com o título: Entre el miedo y la esperanza. La Repubblica, italiano, texto-legenda para o desfile em carro aberto: Bolsonaro no trono. E Trump celebra. Em Portugal, o destaque era esperado. No Público: A ultradireita chegou ao Planalto. E no Jornal de Notícias: Vamos unir o povo. No The New York Times é preciso procurar o Brazil na capa. Mas lá está ele, no pé da página, uma notinha com foto. Já no The Washington Post, com uma foto 3×4 de Bolsonaro, é a manchete: Populista toma o leme no Brasil. Manchete também do La Nacion, de los hermanos argentinos: Bolsonaro prometió orden, combatir la corrupción y liberar a Brasil del socialismo. No Clarín, Bolsonaro roda a bandeira: vai liberar a Brasil de la corrupción y el yugo ideológico. O Financial Times, com Bolsonaro fazendo continência, e Michelle acenando, lembra que o presidente prometeu lutar contra a corrupção. É a foto central do espanhol El País: Bolsonaro jura el cargo: Brasil y Dios por encima de todo. O ADN, paraguaio, lembra que o Brasil está agora MÁS CERCA DE EE.UU E ISRAEL. A surpresa é israelense. Nada na capa do Haaretz. E no Jerusalem Post tem sim a foto pequena de Netanyahu e Bolsonaro, mas o título é sobre o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, garantindo que a retirada dos Estados Unidos da Síria, não trará consequências para Israel. Os jornais de Cuba, Venezuela e Nicarágua, países convidados desconvidados, não deram nada em suas capas.

 

 

Vou embora do Facebook

Estou suspenso por seis dias do Facebook. Fui “punido” porque postei um álbum de fotos preciosas com habitantes dos mais remotos rincões do planeta. Alguns são índios. Esta coleção de culturas remotas é de um fotógrafo italiano que a expôs em museus e galerias.

O problema para o Facebook são os índios. Deveriam estar vestidos. Censurado, reclamei. Recebi um pedido de desculpas no final do dia. Ao acordar, porém, estava de novo proibido de postar por seis dias. Reclamei de novo. Outro pedido de desculpas, seguido do aviso de que continuava cumprindo a pena do Facebook.

Foto do fotógrafo italiano Mattia Passarini

Não é a primeira vez que me censuram. Houve outra quando postei um novo livro sobre Salvador Dali. Então, decidi: basta. Lamento pelos cinco mil amigos que fiz postando informações sobre atualidade no mundo, design, capas criativas de jornais e revistas internacionais, curiosidades ou depoimentos pessoais. Mudo para este blog, que já mantenho desde que decidi tirar do baú os textos de que mais gosto entre a cobertura que fiz como correspondente em Israel, Estados Unidos e França, e ainda como enviado especial a locais de conflitos, furacões, eleições e tragédias.

Mas quero acrescentar que o Facebook, que se dá ao direito de censurar, está sendo de novo acusado, justamente hoje, de ter compartilhado o meu, o seu, o nosso perfil, multiplicado por milhões de usuários em todo o mundo. Isso pode? É crime! A privacidade exposta sem autorização é muito mais grave que a foto de uma índia seminua em Papua Guiné. Neste ano de 2018 já no fim, cada mês, e em alguns meses, cada semana, o Facebook foi denunciado por abrir seus arquivos a empresas gigantes de tecnologia. O fundador e CEO Mark Zuckerberg está gastando bilhões tentando corrigir as falhas flagradas. Caiu a publicidade. Caíram as ações em 35%. Respeitados e célebres executivos estão abandonando bruscamente o Facebook e as empresas que a orbitam, como Instagram, Oculus e WhatsApp.

Ao todo, 30 milhões de contas do Facebook tiveram a privacidade violada. Mas quem paga o pato somos nós, o baixo clero, com nossos inocentes posts que exibem alguma nudez. Lembro a censura que veio com o golpe de 1964 no Brasil. Um dia recebemos a instrução de que poderíamos publicar apenas um dos seios de uma mulher desnuda, pulando o carnaval ou desfilando numa escola de samba. O Facebook está evoluindo para o retrocesso.

Paz e Neve em Jericó

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Jericó – A festa foi já uma comemoração pelo nascimento de um estado palestino: Biladi, Biladi, cantava a multidão embandeirada com as cores verde, branca, vermelho e preta, a bandeira palestina antes proibida por Israel. Biladi, “nosso país, nossa terra”, continuava a canção: “Quero dar a você, Biladi, todo meu amor e meus sentimentos”.

  O fundo era de tambores na cidade que Josué derrubou com trombetas de chifre de carneiro. trombetasJericó, a mais antiga do mundo, e a primeira oficialmente de uma futura Palestina, teve seu dia de carnaval. Caminhões abriam espaço numa multidão delirante como se fossem trios elétricos baianos. Bandas juvenis marchavam. Recebia-se a imprensa, na entrada da praça principal, com a saudação:

  “Benvindo ao meu país”.

  A população de Jericó ficou tão feliz com a perspectiva de paz que já arranjou nada menos que cinco casas oficiais para “o presidente Yasser Arafat”. Alguns mais emocionados não conseguiram manter-se parados, mesmo dançando, e subiram e desceram com seus carros enfeitados de bandeiras e retratos de Arafat a estrada para Jerusalém.

   Uma façanha: a estrada vai de 250 metros abaixo do nível do mar para 820 metros acima em apenas 20 minutos. Sobe-se do lugar mais baixo do mundo para a maior altitude espiritual da Terra Santa, do sufoco de um oásis para o frescor do Monte das Oliveiras. Não encontraram obstáculos pelo caminho. E buzinaram muito em Jerusalém. A polícia os olhou à distância. No final do dia, israelenses contagiados içaram também suas bandeiras na cidade. E a paz de Washington se refletiu pela primeira vez realmente entre israelenses e palestinos.

  Uma bandeira palestina já tremulava em Jerusalém desde o começo da tarde, na casa do negociador Faissal Husseini, a Oriental House. Depois outras foram aparecendo nos carros, e no final do dia eram o cenário. Os retratos de Arafat também se multiplicaram. Mesmo o inacreditável podia ser ontem fotografado: soldados israelenses posando diante de bandeiras palestinas. Não houve choques. A polícia até desviou o trânsito para dar passagem a uma passeata iniciada diante da Porta de Damasco, na velha Jerusalém. E de cima de um prédio em Jericó outros soldados fotografavam a alegria da multidão dançando na praça.

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Na Casa Branca

  Nenhum telão foi produzido para que o povo acompanhasse o aperto de mãos entre Rabin e Arafat, transmitido ao vivo pela TV israelense. Às 5 horas em ponto, um orador subiu num palanque, e puxou o “Biladi, Biladi”. A assinatura dos primeiros acordos só ocorreu 45 minutos depois, mas ali ninguém ficou sabendo. “Todos meus sonhos estão aqui”, disse Amim Shooman.

  O orador incendiava a festa com notícias quentes. Ele gritou, por exemplo, que “o presidente Arafat” ia pedir ao primeiro-ministro Rabin, na Casa Branca, a libertação de todos os prisioneiros palestinos. Depois, ele prometeu uma mensagem do próprio Arafat para dentro de uma hora. O termômetro subiu mais no oásis, onde as tâmaras e o suco de laranja são inesquecíveis. Vez em quando, ele fazia um anúncio, tipo “Gaza está com Arafat”, ou “toda a Cisjordânia festeja”.

  O estudante Ihab Dawich, com 18 anos, nunca viveu em Jericó sob o domínio de um país árabe, só israelense. “Estou muito feliz”, ele contou. Uma criança, pelo microfone, lembrou aos outros jovens da festa como Israel ocupou a Cisjordânia em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias. Não havia animosidade contra Israel.

   Ao ser sobrevoada por um helicóptero israelense, com fotógrafos, a multidão mostrou o V da vitória e levantou bandeiras. Só não precisava nevar. Mas os militantes do Fatah, o movimento de Arafat dentro da OLP, acharam que ficaria bonito, se nevasse. Então, do alto de um prédio foram despejadas gotas de sabão que lambuzaram lentes de televisão e cabelos dos repórteres, levadas para o lado por um ventilador, e não para baixo. A paz será como essa neve no deserto?

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Os três Nobel da Paz (foto Operamundi)