Reino do terror em Israel

Grupo de jovens colonos

planejava derrubar o governo israelense,

expulsar árabes e restaurar

a monarquia dos tempos

dos reis Saul, David e Salomão

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Bebê queimado na casa incendiada em Duma

Jovens de 13 a 24 anos, judeus, presos pelo serviço secreto israelense depois de um atentado na aldeia árabe de Duma em que morreram uma criança de 18 meses e seus pais, em julho de 2015, pertenciam ao desconhecido grupo Revolta, fundado para derrubar o governo de Israel e restabelecer uma monarquia como ao tempo bíblico dos reis Saul, David e Salomão.

Alguns dos “revoltados” foram indiciados na manhã deste primeiro domingo de 2016, inclusive o autor confesso do incêndio criminoso que matou a família Dawabsheh para vingar o assassinato de um colono judeu, Malachi Rosenfeld, um mês antes, em Duma, perto de Nablus. Desde novembro, 23 de cerca de 40 afiliados ao Revolta foram presos. O Shin Bet, serviço secreto interno israelense, foi muito pressionado por críticas nas duas pontas de sua investigação: os detidos denunciaram terem sido torturados, no que foram amplificados por seus pais, e os palestinos reclamaram da “mão leve” quando os suspeitos são judeus.

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Amiram Ben-Uliel (facebook)

O principal indiciado neste domingo foi Amiram Ben-Uliel, de 21 anos, o“revoltado” que atirou duas bombas caseiras em duas casas de Duma, uma delas vazia, e escreveu em seus muros “Vida longa ao rei Messias” e “Vingança”. Um menor de idade que o acompanharia no atentado não compareceu ao ponto marcado. O fogo provocado pela bomba jogada pela janela da casa dos Dawabsheh carbonizou o bebê de 18 meses, Ali. Seus pais, Sa’ad e Raham, não resistiram às queimaduras depois de algum tempo internados em Israel. Um irmão, Ahmed, 4 anos, sobreviveu, mas muito queimado, ainda sob tratamento.

Mesmo ausente do atentado, o menor do “Revolta” foi indiciado como “acessório” ao triplo assassinato. Outros três menores e dois jovens serão julgados por incêndios a um depósito de cereais em Akraba e a um táxi em Yasuf, na Cisjordânia. O grupo se preparava também para atacar Israel, um estado sem direito a existir até a vinda do Messias. Seus militantes moram nas redondezas de Shiloh, uma das primeiras colônias criadas na Samaria durante o governo de Menachem Beguin, empossado em 1977. A ideologia que os une lembra muito o rabino Kahane, que pregava a expulsão de todos os árabes da Terra Prometida e acabou assassinado em Nova York. O seu sobrinho foi um dos primeiros detidos pelo Shin Bet.

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Reis David, Salomão e Rehoboam

O “Revolta”, fundado em 2013, pretendia levantar o terceiro templo de Jerusalém no lugar em que hoje estão as mesquitas de Al Aksa e Omar, sobre o Muro das Lamentações. Só esta meta teria o potencial de levantar todo o mundo muçulmano contra Israel. Como os “revoltados” não reconhecem o estado israelense, não se sentiam obrigados a respeitar as suas leis. Entre os documentos apreendidos pelo Shin Bet sobressai um manifesto escrito em forma de mandamentos:

. Destruir tudo primeiro, e depois reconstruir.

. Um rei deve ser coroado depois de derrubado o governo.

. Sob a atual administração estrangeira, devemos criar células em cada colônia, topo de montanha, cidade e yeshiva (seminário judaico), cada um com 3 a 5 membros que decidirão como agir.

. As células começarão com pequenas operações. Entre elas, não haverá contato.

. Não fale, não investigue e nem faça enquetes.

. Não haverá espaço para gentio, particularmente árabes que vivam dentro das fronteiras do estado, e se eles não partirem será permitido matá-los indiscriminadamente – mulheres, homens e crianças.

. O sangue dos não judeus será sempre mais barato (inferior?) ao sangue dos judeus.

O Shin Bet não conseguiu identificar um padrão de hierarquia dentro do “Revolta” ou mesmo células criadas e organizadas por uma outra autoridade. O grupo dispensava autorização, coordenação e sincronização para ataques como o de Duma, que acabou por revelá-lo, mas não destruí-lo, pois nem todos estão presos. Prova de que algumas células estão ativas são as ameaças contra as famílias dos agentes secretos.

O primeiro-ministro Yitzhak Rabin foi assassinado por um fanático que professava as mesmas ideias do “Revolta”, menos a restauração do reinado de Israel, embora o local do atentado tenha sido a praça que então era chamada de os Reis de Israel. A monarquia dos judeus acabou quando o reino de Judá ou Judeia foi conquistado pelo império babilônico, em 586 A.C..

Veja também: terrorismo judeu.

 

2 comentários sobre “Reino do terror em Israel

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