BRASIL E ISRAEL: UMA NOVA ERA?

Brasil e Israel iniciam hoje o que seus dois líderes antecipam como uma nova era histórica em suas relações. É a primeira visita de um premiê de Israel ao Brasil — o Brasil que presidiu, com Osvaldo Aranha, a sessão da ONU em que o estado de Israel foi criado. A partilha da Palestina incluía um estado árabe, mas os países árabes a rejeitaram.

Israel quis sempre se aproximar do Brasil, mas a prioridade brasileira era o mundo árabe. A relação com um excluía os outros. Ainda é assim: a Liga Árabe se reuniu no Cairo há duas semanas e prometeu retaliar, cortando importações, se o Brasil seguir adiante no reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. Os Estados Unidos mudaram sua embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém, mas não sofreu as punições reservadas para o Brasil.

Em 2010, o governo brasileiro foi o primeiro da América do Sul a reconhecer um estado Palestino com base nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967. E em 2016, o Brasil se tornou o primeiro país ocidental a abrir uma embaixada da Palestina.

Israel é hoje uma superpotência no uso, reuso e dessalinização da água, até floresceu o deserto, e é também capital mundial de startups e de tecnologia de segurança. O Brasil poderá ser um importante voto em favor de Israel na ONU, e um influenciador político para a América Latina.

Amigo, Israel sempre foi. Enquanto fui por oito anos correspondente em Israel, a trilha sonora de um programa da rádio militar israelense era o Trem das Onze, em hebraico. Caetano, Gil, Gal Costa, Elba Ramalho e Jorge Ben Jor, entre outros cantores brasileiros, levaram à loucura estádios e parques repletos de fãs. Há um kibutz brasileiro no Neguev, Bror Chail, e agora quase uma cidade inteira fala português, Ashkelon, tantos imigrantes daqui foram para lá. A comunidade judaica do Brasil, com 120 mil judeus, só perde em número, na América Latina, para a da Argentina.

Hoje às 19h21 Bibi se recolhe para o shabath e só reaparece ao pôr do sol de sábado. Apesar de confirmado e desmentido agora é oficial: Netanyahu vai à posse de Bolsonaro, encontra-se com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e os presidentes do Chile e de Honduras, mas parte em seguida para a campanha das eleições em abril em israel.

Um Muro no Natal Americano

Trump “Noel” paralisou o governo americano, parcialmente, nesta véspera de Natal, porque não ganhou o muro na fronteira com o México que tanto quer há dois anos. 

Mais de 420 mil funcionários públicos federais vão trabalhar sem receber e nove departamentos fecharam ao primeiro minuto deste sábado 22, entre eles o de Segurança Interna, Justiça, Interior, Transporte, Comércio e de Relações Exteriores. Parques nacionais e a Estátua da Liberdade estão fechados e não serão abertos nem nos feriados de fim de ano, se o impasse entre Casa Branca e Congresso perdurar.  Também não há emissão de passaportes.  

Wall street amargou a perda de mais 415 pontos na sexta-feira e a Nasdaq, 20% , no fim da semana considerada histórica e decisiva para a administração Trump. 

O chefe do Pentágono, general Jim Mattis, apelidado de “Cachorro Louco”, renunciou na quinta-feira, depois  de anunciada o que nem ele sabia: a retirada dos dois mil soldados americanos da Síria, expondo parceiros curdos a ataques da Turquia, que os consideram terroristas, e permitindo a expansão iraniana em território sírio.  

Na carta em que entrega o cargo em fevereiro, o general Mattis induz à conclusão de que Trump não age em função do interesse nacional, mas pessoal. O exemplo logo lembrado pela imprensa foi o da Trump Tower que ele planejava levantar em Moscou, semelhante à de New York, mas que precisava do aval do presidente russo Vladimir Putin, a quem daria, em troca, uma das milionárias suítes. Seria apenas um negócio, não fosse o incorporador um candidato à Presidência dos Estados Unidos que nada contou aos eleitores em toda a longa campanha eleitoral, e era obrigado a fazê-lo por lei. 

“Ele traiu a América”,  deu um jornal. 

Para a abrupta retirada da Síria, que surpreendeu os aliados americanos no Oriente Médio, lembra-se que a decisão foi anunciada após uma conversa telefônica com o presidente turco Recep Erdogan, que ameaça com revelações sobre  a execução do jornalista Jamal Khashoggi, em Istambul, o príncipe herdeiro saudita Bin Salman, tido por mandante e blindado pela Casa Branca.  

O muro na fronteira seria pago pelo México, quando anunciado nos comícios eleitorais. Mas agora, véspera em que a Câmara terá maioria Democrata, a partir de 3 de janeiro, a conta passou para os contribuintes — e mais: ou os 5 bilhões de dólares para iniciar a obra estivessem no orçamento provisório para que o governo funcione até  8 de fevereiro, ou Trump não o assinaria, provocando, como afinal provocou, o fechamento parcial do governo. Os Republicanos bem que tentaram pôr o muro de passa-moleque na legislação de financiamento quebra-galho do governo. Mas aí encontraram um muro intransponível dos Democratas.  

O presidente chegou a dizer que teria orgulho em assumir a responsabilidade por parar o país. Porém, ele não demorou a culpar os Democratas. Num dos milhares de tuítes disparados sobre o imbróglio, alguém perguntou: “Que tal fechar o governo e não abrir nunca mais?” O senador Charles Schumer (D-New York) assegurou a Trump ao falar no Senado: “Você não vai ter seu muro. Não o terá hoje, nem na semana que vem e muito menos em janeiro, quando os Democratas tomarão conta da Câmara”.