REVELADO O PLANO DOS EUA PARA A PAZ EM GAZA

Eis o plano de 21 pontos para acabar com a guerra em Gaza que o presidente Donald Trump elaborou com oito países árabes e vai apresentar ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nessa segunda-feira.
O plano foi obtido pelo jornal Times of Israel que certificou sua autenticidade com duas fontes diferentes. Nele há pontos que devem desagradar a Israel, ao Hamas e a Autoridade Palestina. Mas não há plano possível que agrade a todos.
Os 21 pontos foram traduzidos por IA porque extensos e para que possam ser conhecidos imediatamente.


PLANO DE 21 PONTOS
O conteúdo do plano foi parafraseado a pedido das fontes que o forneceram.
 1.⁠ ⁠Gaza será uma zona desradicalizada, livre de terrorismo e não representará uma ameaça aos seus vizinhos.
 2.⁠ ⁠Gaza será reconstruída para o benefício de seu povo.
 3.⁠ ⁠Se ambos os lados concordarem com a proposta, a guerra terminará imediatamente, com as forças israelenses interrompendo todas as operações e se retirando gradualmente da Faixa de Gaza.
 4.⁠ ⁠Dentro de 48 horas após Israel aceitar publicamente o acordo, todos os reféns vivos e mortos serão devolvidos.
 5.⁠ ⁠Assim que os reféns forem devolvidos, Israel libertará centenas de prisioneiros de segurança palestinos que cumprem penas de prisão perpétua e mais de 1.000 moradores de Gaza presos desde o início da guerra, juntamente com os corpos de centenas de palestinos.
 6.⁠ ⁠Assim que os reféns forem devolvidos, os membros do Hamas que se comprometerem com a coexistência pacífica receberão anistia, enquanto os membros que desejarem deixar a Faixa de Gaza receberão passagem segura para os países receptores.
 7.⁠ ⁠Uma vez alcançado esse acordo, a ajuda chegará à Faixa a taxas não inferiores às metas estabelecidas no acordo de reféns de janeiro de 2025, que incluía 600 caminhões de ajuda por dia, juntamente com a reabilitação de infraestrutura crítica e a entrada de equipamentos para remoção de escombros.
 8.⁠ ⁠A ajuda será distribuída — sem interferência de nenhum dos lados — pelas Nações Unidas e pelo Crescente Vermelho, juntamente com outras organizações internacionais não associadas a Israel ou ao Hamas.
(O texto desta cláusula parece intencionalmente vago e aparentemente deixa uma abertura para a operação contínua da Fundação Humanitária de Gaza, já que tecnicamente é uma organização americana, mesmo tendo sido uma criação de israelenses ligados ao governo e criada para se adequar à condução da guerra pelo governo israelense.)
 9.⁠ ⁠Gaza será governada por um governo temporário e transitório de tecnocratas palestinos, responsáveis por fornecer serviços diários à população da Faixa de Gaza. O comitê será supervisionado por um novo organismo internacional estabelecido pelos EUA em consulta com parceiros árabes e europeus. Ele estabelecerá uma estrutura para o financiamento da reconstrução de Gaza até que a Autoridade Palestina conclua seu programa de reformas.
(Esta é a primeira menção do plano dos EUA à Autoridade Palestina, sediada em Ramallah. Israel descartou a autoridade como potencial governante de Gaza, rejeitando assim o que se tornou a chave para recrutar assistência árabe na gestão pós-guerra da Faixa, visto que a comunidade internacional considera a unificação da Cisjordânia e de Gaza sob um único órgão de governo reformado como essencial para a estabilidade e a paz a longo prazo. A aparente decisão de reservar o papel da AP para uma data posterior não especificada provavelmente será difícil para Ramallah engolir, mas também tem influência limitada nessas discussões.)
10.⁠ ⁠Um plano econômico será criado para reconstruir Gaza por meio da convocação de especialistas com experiência na construção de cidades modernas no Oriente Médio e por meio da consideração de planos existentes que visam atrair investimentos e criar empregos.
11.⁠ ⁠Será estabelecida uma zona econômica, com tarifas reduzidas e taxas de acesso a serem negociadas pelos países participantes.
12.⁠ ⁠Ninguém será forçado a deixar Gaza, mas aqueles que optarem por sair poderão retornar. Além disso, os moradores de Gaza serão incentivados a permanecer na Faixa de Gaza e terão a oportunidade de construir um futuro melhor lá.
13.⁠ ⁠O Hamas não terá qualquer papel na governança de Gaza. Haverá o compromisso de destruir e interromper a construção de qualquer infraestrutura militar ofensiva, incluindo túneis. Os novos líderes de Gaza se comprometerão com a coexistência pacífica com seus vizinhos.
14.⁠ ⁠Uma garantia de segurança será fornecida pelos parceiros regionais para garantir que o Hamas e outras facções de Gaza cumpram suas obrigações e que Gaza deixe de representar uma ameaça a Israel ou ao seu próprio povo.
15.⁠ ⁠Os EUA trabalharão com parceiros árabes e outros parceiros internacionais para desenvolver uma força internacional temporária de estabilização , que será imediatamente enviada a Gaza para supervisionar a segurança na Faixa de Gaza. A força desenvolverá e treinará uma força policial palestina, que servirá como um órgão de segurança interna de longo prazo.
16.⁠ ⁠Israel não ocupará nem anexará Gaza, e as IDF entregarão gradualmente o território que ocupam atualmente, à medida que as forças de segurança substitutas estabelecerem o controle e a estabilidade na Faixa.
17.⁠ ⁠Se o Hamas atrasar ou rejeitar esta proposta, os pontos acima prosseguirão em áreas livres de terrorismo, que as IDF entregarão gradualmente à força internacional de estabilização.
(Esta é a primeira menção à possibilidade de que o acordo possa ser implementado pelo menos parcialmente, mesmo que o Hamas não concorde.)
18.⁠ ⁠Israel concorda em não realizar futuros ataques no Catar. Os EUA e a comunidade internacional reconhecem o importante papel mediador de Doha no conflito de Gaza.
19.⁠ ⁠Será estabelecido um processo para desradicalizar a população. Isso incluirá um diálogo inter-religioso com o objetivo de mudar mentalidades e narrativas em Israel e Gaza.
20.⁠ ⁠Quando a reconstrução de Gaza tiver avançado e o programa de reforma da AP tiver sido implementado, as condições poderão estar reunidas para um caminho confiável para a criação de um Estado palestino, que é reconhecido como a aspiração do povo palestino.
(A cláusula não fornece detalhes sobre o programa de reforma palestina e não é definitiva sobre quando o caminho para a criação de um estado pode ser estabelecido.)
21.⁠ ⁠Os EUA estabelecerão um diálogo entre Israel e os palestinos para chegar a um acordo sobre um horizonte político para a coexistência pacífica.

Palestina, Gaza e Ucrânia nos 80 anos da Assembleia Geral

A Palestina vai ser reconhecida pela França, Grã-Bretanha, Austrália e Canadá, aumentando para 146 os países que já a reconhecem, nesta segunda-feira, véspera da Assembleia Anual de 80 anos da ONU, chamada de Copa do Mundo da Diplomacia.
Mas o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, não estará presente ao histórico reconhecimento da Palestina, promovido pela França e Arábia Saudita, porque teve o visto negado para desembarcar em Nova York, por alegada questão de segurança nacional. Ele poderá discursar por vídeo-conferência.
Na lista de países que reconhecem a Palestina faltam dois fundamentais para que ela passe do papel à existência: Israel e Estados Unidos.

A gestação de dois estados na Palestina, um israelense e outro palestino, começou em 29 de novembro de 1947, com a Resolução 181, aprovada por 33 votos a 13, e 10 abstenções, pela Assembleia Geral da ONU. Mas o parto já dura 75 anos, sem previsão para o nascimento da Al Quds, a Sagrada, como os palestinos a batizaram.
Israel está chegando ao segundo ano de guerra em Gaza, depois de invadido por milhares de palestinos que deixaram 1.200 mortos de 40 nacionalidades, inclusive brasileiros, e 250 reféns, 20 dos quais que ainda podem estar vivos. Do lado palestino, morreram cerca de 65 mil pessoas, entre civis e combatentes, mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu diz que nunca haverá um estado palestino. E a cada dia que passa o território da Palestina fica menor, ocupado por colonos com permissão de construir novas casas nas “terras que lhes foram dadas por Deus”, as bíblicas Judeia e Samaria, hoje Cisjordânia, conquistada na Guerra de Seis Dias, em 1967.
Para os Estados Unidos, e principalmente para o presidente Donald Trump, um reconhecimento da Palestina não vale nada, se não negociado entre Israel e a Autoridade Palestina. O secretário de Estado Marco Rubio considera um encorajamento ao Hamas a iniciativa da França e da Arábia Saudita desta segunda-feira, sob o nome de Declaração de Nova York”.


O Departamento de Estado retardou o visto da delegação brasileira, que tradicionalmente abre as assembleias anuais da ONU. O primeiro discurso dos 80 anos será do presidente Lula. E o segundo, do presidente Trump.
Na Seção 11 do acordo de 16 páginas entre a ONU e EUA, de 1947, está escrito: “as autoridades federais, estaduais ou locais dos Estados Unidos não imporão quaisquer impedimentos ao trânsito de ou para o distrito da sede.”
Em 1988, porém, o líder da OLP, Yasser Arafat, foi barrado, mas liberado nos anos seguintes. Os vistos para delegações da Rússia, Irã, China e Venezuela demoram, mas saem. As rejeições são raras. Em 2014, o visto para um embaixador iraniano foi negado porque ele teria participado do cerco à embaixada estadunidense de Teerã, em 1979.
Para os participantes da Assembleia Geral que não sejam bem-vindos aos EUA há uma restrição: eles não podem se afastar de um raio de 22 quilômetros da sede da ONU.
A Assembleia Geral, a partir de terça-feira, deverá ser dominada pelas guerras em Gaza, na Ucrânia e no Sudão. Mas o tema geral escolhido é “Melhor juntos: 80 anos e mais para paz, desenvolvimento e direitos humanos” — em contraposição ao unilateralismo do America First, de Trump, que tirou os EUA da OMS, da UNESCO, do Conselho de Direitos Humanos e do acordo do clima de Paris, que este ano fará sua reunião no Pará.

Mortes e acordos entre Israel-Síria-Jordânia e Libano.

Foto do exército de Israel, hoje, na Ponte Allenby

Um jordaniano que dirigia um caminhão carregado com ajuda humanitária para Gaza estacionou para inspeção israelense na Ponte Allenby, perto de Jericó, na Cisjordânia. Tinha um revólver. E o disparou até ele não funcionar, engasgado com uma bala. Então, sacou uma faca e matou duas pessoas, uma de 60 e outra de cerca de 20 anos. Foi morto. A passagem entre Jordânia e Israel foi fechada.

(Em Gaza, quase ao mesmo tempo, um comandante e três oficiais foram mortos ao passarem sobre uma mina improvisada.)
Ano passado, nessa mesma ponte Allenby, três israelenses morreram baleados, também por um motorista de caminhão jordaniano de alimentos para Gaza.
Algumas horas depois do atentado desta quinta-feira, o ministro de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, confidente do premiê Benjamin Netanyahu, sugeriu que o Vale do Jordão pode ser anexado sem maiores consequências, se for uma reação ao reconhecimento do estado da Palestina, na semana que vem, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. A expectativa sobre a reação dos Emirados Árabes Unidos foi reduzida a uma retirada de seu embaixador de Tel-Aviv, não mais uma ruptura.


O ministro Dermer esteve negociando um pacto de convivência entre Síria e Israel, em Londres, onde também se encontrou com o secretário de Estado Marco Rubio, que esteve em Jerusalém e Doha, no Catar, há poucos dias. Não foi a primeira vez que ele propôs a anexação de parte da Cisjordânia, mas a que tem mais chance de ocorrer, antecipada pelo próprio premiê Netanyahu e exigida, praticamente, por seus aliados da extrema-direita na coligação governamental.
O presidente sírio Ahmed al-Sharaa revelou-se otimista com as negociações com o ministro Dermer, nesta quinta-feira, prevendo um acordo para “os próximos dias”. Para ele, o pacto é necessário para acabar com as incursões aéreas e terrestres do vizinho israelense. Mas não está claro como foi ou será resolvido o impasse sobre as Colinas do Golã, anexadas por Israel depois de conquistadas, na Guerra dos Seis Dias (1967).
Em Londres, o primeiro-ministro Keir Starmer e Trump concordaram em discordar sobre o reconhecimento da Palestina, durante uma entrevista coletiva, nesta quinta-feira. O Reino Unido iria se antecipar à França, anunciando-o antes. Mas a recepção real ao presidente dos EUA o dissuadiu.
Ao afirmar que “o Hamas não deve ser parte de nenhum futuro governo na Palestina”, o que não impedirá o seu reconhecimento, Starmer recebeu um tapinha nas costas de um Trump satisfeito, e que declarou: “Discordo do primeiro-ministro (sobre reconhecer a Palestina) … É um nossos poucos desacordos.” Ele acrescentou que os reféns cativos do Hamas devem ser libertados imediatamente: “Não um, não dois ou ‘vamos lhe dar dois amanhã’. Temos que receber os reféns imediatamente. É isso que o povo de Israel quer. E queremos que a guerra acabe, e ela vai acabar”.


Israel distribuiu panfletos no sul do Líbano, na manhã desta quinta-feira (foto acima): “Aviso urgente”, alertou em árabe. “As IDF (Forças de Defesa de Israel) atacarão a infraestrutura militar pertencente ao terroristas Hezbollah em todo o sul do Líbano, para combater suas tentativas proibidas de reconstruir suas atividades”. Num mapa, foram indicados os edifícios que seriam atacados em Kafr Tibnit e Dubna, recomendando a seus moradores a permanecer a uma distância de 500 metros.