Nota

Alerta à censura no Brasil

O curador de The Internet Archive, Jason Scott, tuitou:

“Eu não falo português, então espalhe como achar melhor: Se você tiver cultura, conteúdo ou dados brasileiros, faça o upload diretamente para o Arquivo da Internet ou nos envie discos rígidos que ficarão armazenados. Uma incrível quantidade de material será perdida. Nós vamos hospedá-lo.”

The Internet Archive, fundado em 1996, em São Francisco, EUA, informa ter recebido inúmeros pedidos de brasileiros que estão antecipando uma temporada de censura promovida pelo governo Bolsonaro, em entrevista a Mathew Ingram, editor-chefe digital da Columbia Journalism Review (CJR).

A Freedom House, que quantifica a liberdade de cada país ao livre fluxo da informação, registrou um declínio do Brasil por causa de restrições ao conteúdo de candidatos políticos na internet, depois de aprovada no Congresso, ano passado, a lei que requer das redes sociais que removam, imediatamente, qualquer postagem anônima considerada ofensiva ou difamatória.

“Como a campanha e a administração de Trump fizeram nos Estados Unidos, o governo Bolsonaro tem atacado jornalistas e mídia acusando-os de divulgação de fake news”, diz a CJR.

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Maquiadas para o futuro

A artista Mat Maitland atualizou para 2018 algumas de nossas finadas musas do passado, como Marilyn, Grace Kelly, Elizabeth Taylor e Audrey Hepburn. São pequenos detalhes cosméticos, como lábios alongados. Morto, Michael Jackson foi recriado por ela para um álbum póstumo. Veja mais em https://www.instagram.com/matmaitland/?hl=en (via https://designyoutrust.com/ )

E se Bibi cair em Israel?

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R7.com

O descoberto “irmão” do presidente Jair Bolsonaro corre perigo: o primeiro-ministro de Israel, Bibi Netanyahu, se indiciado por corrupção antes das eleições que ele próprio antecipou para março, deverá renunciar e não se recandidatar para um quinto mandato. Esta é a opinião de 51% dos israelenses que responderam a uma pesquisa exclusiva do jornal The Jerusalem Post, divulgada hoje, 3/1/2019. Para outros 24%, ele, que é o candidato favorito, poderá, sim, concorrer. E 24% não sabem ainda o que responder.

A expectativa em Israel é de que o procurador-geral Avichai Mandelbit indicie Bibi, o “Rei Bibi” de um filme pronto, depois que ele depuser em fevereiro. O caso de agora, o terceiro, tem a ver com benefícios concedidos à maior companhia de telecomunicação israelense, Bezeq, dona do popular site de notícias Walla, em troca de cobertura positiva, para ele e a esposa, Sara. Por lei, Bibi pode continuar sua vida pública, até ser preso. Há precedentes: um ex-primeiro-ministro e um ex-presidente já cumpriram penas em cadeia.

Os abraços de Bolsonaro e a aclamação de evangélicos em Brasília reforçam a imagem de Bibi, uma preciosidade para a campanha eleitoral. Mas se Bibi não for mais o premiê de Israel em março, como sobreviverá a irmandade brasileiro-israelense? O candidato em segundo lugar, com 14% dos votos, é um ex-chefe da IDF (Força de Defesa de Israel), Benny Gantz, seguido de Yair Lapid, 9%, e de Naftali Bennett. Em último lugar, com 4%, está o líder trabalhista, Avi Gabbay. Nenhum deles irá desprezar a amizade e o apoio do Brasil, mas talvez não concordem com tudo que foi prometido por Bibi.

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Todas as capas do Presidente

 

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No The Wall Street Journal, o casal Bolsonaro, desfilando de Rolls Royce, foi a foto do alto da primeira página. No El Observador, uruguaio, a foto do presidente agitando a bandeira do Brasil no Parlatório virou pôster, com o título: Entre el miedo y la esperanza. La Repubblica, italiano, texto-legenda para o desfile em carro aberto: Bolsonaro no trono. E Trump celebra. Em Portugal, o destaque era esperado. No Público: A ultradireita chegou ao Planalto. E no Jornal de Notícias: Vamos unir o povo. No The New York Times é preciso procurar o Brazil na capa. Mas lá está ele, no pé da página, uma notinha com foto. Já no The Washington Post, com uma foto 3×4 de Bolsonaro, é a manchete: Populista toma o leme no Brasil. Manchete também do La Nacion, de los hermanos argentinos: Bolsonaro prometió orden, combatir la corrupción y liberar a Brasil del socialismo. No Clarín, Bolsonaro roda a bandeira: vai liberar a Brasil de la corrupción y el yugo ideológico. O Financial Times, com Bolsonaro fazendo continência, e Michelle acenando, lembra que o presidente prometeu lutar contra a corrupção. É a foto central do espanhol El País: Bolsonaro jura el cargo: Brasil y Dios por encima de todo. O ADN, paraguaio, lembra que o Brasil está agora MÁS CERCA DE EE.UU E ISRAEL. A surpresa é israelense. Nada na capa do Haaretz. E no Jerusalem Post tem sim a foto pequena de Netanyahu e Bolsonaro, mas o título é sobre o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, garantindo que a retirada dos Estados Unidos da Síria, não trará consequências para Israel. Os jornais de Cuba, Venezuela e Nicarágua, países convidados desconvidados, não deram nada em suas capas.

 

 

BRASIL E ISRAEL: UMA NOVA ERA?

Brasil e Israel iniciam hoje o que seus dois líderes antecipam como uma nova era histórica em suas relações. É a primeira visita de um premiê de Israel ao Brasil — o Brasil que presidiu, com Osvaldo Aranha, a sessão da ONU em que o estado de Israel foi criado. A partilha da Palestina incluía um estado árabe, mas os países árabes a rejeitaram.

Israel quis sempre se aproximar do Brasil, mas a prioridade brasileira era o mundo árabe. A relação com um excluía os outros. Ainda é assim: a Liga Árabe se reuniu no Cairo há duas semanas e prometeu retaliar, cortando importações, se o Brasil seguir adiante no reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. Os Estados Unidos mudaram sua embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém, mas não sofreu as punições reservadas para o Brasil.

Em 2010, o governo brasileiro foi o primeiro da América do Sul a reconhecer um estado Palestino com base nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967. E em 2016, o Brasil se tornou o primeiro país ocidental a abrir uma embaixada da Palestina.

Israel é hoje uma superpotência no uso, reuso e dessalinização da água, até floresceu o deserto, e é também capital mundial de startups e de tecnologia de segurança. O Brasil poderá ser um importante voto em favor de Israel na ONU, e um influenciador político para a América Latina.

Amigo, Israel sempre foi. Enquanto fui por oito anos correspondente em Israel, a trilha sonora de um programa da rádio militar israelense era o Trem das Onze, em hebraico. Caetano, Gil, Gal Costa, Elba Ramalho e Jorge Ben Jor, entre outros cantores brasileiros, levaram à loucura estádios e parques repletos de fãs. Há um kibutz brasileiro no Neguev, Bror Chail, e agora quase uma cidade inteira fala português, Ashkelon, tantos imigrantes daqui foram para lá. A comunidade judaica do Brasil, com 120 mil judeus, só perde em número, na América Latina, para a da Argentina.

Hoje às 19h21 Bibi se recolhe para o shabath e só reaparece ao pôr do sol de sábado. Apesar de confirmado e desmentido agora é oficial: Netanyahu vai à posse de Bolsonaro, encontra-se com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e os presidentes do Chile e de Honduras, mas parte em seguida para a campanha das eleições em abril em israel.