Sonhador, Sofredor, Perdedor

 

2349077637

Shimon Peres disfarçado para entrar no Marrocos para uma conversa com o Rei.

Os israelenses foram dormir com Shimon Peres eleito primeiro-ministro e acordaram com Binyamin Nethanyau vitorioso por uma diferença de menos de 1% dos votos. Era 1996. Foi a quarta e última derrota do homem que carregou o estigma de perdedor, sofredor e sonhador por toda a sua vida política. Escrevi este artigo enquanto os votos eram contados e o reproduzo sem atualizá-lo, tal qual foi publicado no Estadão.

 

israeli_general_election__1996_-_wikipedia__the_free_encyclopedia

Jerusalém – O primeiro-ministro Shimon Peres “nasceu para sofrer” — concluiu o analista político Nahum Barnea, no jornal Yedioth Aharonoth, o de maior circulação em Israel. Como a confirmá-lo, ontem ele estava sofrendo. Também o chamam de “perdedor”. Para manter e reforçar a fama, hoje ele poderá perder oficialmente a quinta eleição. Ainda é um “sonhador”. Mas o futuro que ele sonhou para o Oriente Médio talvez não se realize mais.

  “O Oriente Médio está cheio de profecias e sangue”, dizia Peres, o sonhador, antes das eleições. Até previu: “Chegou o tempo em que os profetas vencerão os guerreiros”. Mas a maioria dos israelenses parece ter elegido o pragmatismo.

  Peres “já atravessou muitos sofrimentos na vida”, lembrou o secretário-geral do Partido Trabalhista, Nissim Zvilli. “Mas está bem”. Lá ia ele, encurvado, para seu Volvo blindado, em Ramat Aviv. Pouco dormira durante a noite. Viu pela TV ser aclamado o próximo primeiro-ministro das primeiras eleições diretas em Israel. Depois, inesperadamente, foi até o hospital Tel Hashomer  para um exame em um olho infeccionado. (20 anos depois, aqui ele morreu)

Saiu depois de casa para o Ministério da Defesa. Reuniu os ministros do Partido Trabalhista para lhes pedir uma abstinência total de declarações à imprensa antes que os resultados finais ficassem claros. “Estava calmo”, disse o ministro da Saúde, Ephraim Sneh.

  “Um sofredor”, como diz Barnea, porque agora ele tinha tudo para vencer. “O mundo todo o apoiava”. A lista incluía o presidente Bill Clinton, que “doou a América”. Também o presidente Yasser Arafat, que “doou as transmissões da rádio Voz da Palestina” e ainda colocou à disposição sua segurança contra atos de terror. Os árabes israelenses magoados com os recentes bombardeios no sul do Líbano compareceram em massa às urnas para lhe dar a vitória. “Depois do assassinato de Rabin e com tudo que conseguiu, ele merecia uma clara vitória”. Resta-lhe sofrer, agora, com o resultado final.

  “… Uma questão de destino pessoal”, diz no jornal Haaretz o colunista Amnon Dankner. “Peres é um sofredor de nascença e não há nada que se possa fazer”. Ele vai sempre chegar à fonte, “mas não beberá das águas do sucesso”. Como o mitológico Sísifo: rola a pedra até quase o topo da montanha só para então vê-la despencar.

  1101960610_400Endurecidos por guerras, os israelenses não compartilham dos sonhos do seu Nobel da Paz. E sua carreira política será decidida a partir de hoje pelo voto de 140 mil soldados, pacientes de hospitais, loucos, prisioneiros, diplomatas e funcionários israelenses vivendo no exterior. Por duas vezes ele chegou ao cargo de primeiro-ministro. De 1984 a 86, por um acordo de rotatividade com o Likud. Depois, como herdeiro de Yitzhak Rabin, o rival que o achava “um infatigável homem de intrigas”.

  Ao final do debate com Bibi Netanyahu, no domingo, Shimon Peres pediu aos israelenses, lembrando-se publicamente de Rabin pela primeira vez na campanha eleitoral: “O mensageiro foi morto, não a mensagem – a mensagem para criar uma paz real com segurança real e prosperidade econômica… Não deixemos perder essa mensagem”.

  No último dia de campanha eleitoral, Shimon Peres teve que cancelar todas as aparições públicas depois de receber novas ameaças de morte de radicais judeus, em telefonemas anônimos a jornais em Tel-Aviv. Mas advertiu os eleitores: “Uma coligação da direita poderá… destruir o processo de paz”.

Ps. para a foto: Camuflado, Peres entrou no Marrocos. O rei o convidou, e a seu amigo Yossi Beilin, para o esperarem para o encontro no próprio palácio. Mas o rei demorava a aparecer. Então, Peres sugeriu que dessem uma saída para verem na cidade um espetáculo de balé e voltassem. Consultaram súditos: daria tempo?  Receberam uma resposta real: que  não fossem porque haveria o perigo de que os reconhecessem.

A surpresa da noite! Enquanto Peres e Beilin esperavam, adentraram o salão os bailarinos do espetáculo que pediram para ver. “A montanha veio a Maomé”, concluíram.

Morre a história viva de Israel

Foi-se o último sobrevivente da geração de fundadores de Israel. Armou-o para as guerras. Batalhou para lhe dar paz. Era sua história viva. O único que o presidiu e o governou duas vezes como primeiro-ministro. Aos 93 anos, rejuvenescia com os jovens israelenses, o Facebook, Twitter e a internet. Morreu na madrugada desta quarta-feira, no horário de Israel, duas semanas depois de sofrer um derrame cerebral.

Shalom, Peres

Este slideshow necessita de JavaScript.

Persky escorregou quando escalava o “caminho da cobra” de Massada, a montanha do deserto do Negev em que 967 judeus resistiram ao cerco do exército romano, em 70 de nossa era. Foi rolando até fincar os dedos na terra, parando suspenso à beira de um abismo. Os amigos que estavam no topo deram-se as mãos formando um cordão que o trouxe de volta à vida.

No dia seguinte, Persky estava ali de novo, obstinado, vencendo o percurso completo do sinuoso “caminho da cobra”, por onde os judeus da “Metzuda”, ou Fortaleza, ou Massada, recebiam mantimentos.

Em outra aventura pelo deserto, querendo chegar a pé ao posto policial Umm Al-Rashrash, hoje Eilat, Persky descobriria um novo nome. Foi quando um amigo geólogo, Mendelson, mostrando um ninho de águias chamadas de “peres”, na bíblia, lhe perguntou:

– Por que você não muda seu nome para Peres?

massada-com-mar-morto

Massada

Shimon Peres, 93 anos, conseguiu chegar ao topo de sua massada política? A escalada começou marcada por duas traumáticas quedas, uma em 1977 e outra em 1981, e nem todos seus amigos esticaram as mãos para salvá-lo.

Persky/Peres chegou à Palestina em 1933, quando tinha dez anos. Vinha da aldeia de Wieniawa, na Polônia, hoje Vishniev, na Bielo-Rússia, onde viviam apenas 170 famílias, e todas judias. Era um menino que apanhava dos outros, mais voltado para os livros de poesia do que as brincadeiras de rua, e quando sua mãe perguntava por que não se defendia, ele se espantava: “Por que eles me batem? Eu não fiz nada…”

Aos 14 anos, Peres e um amigo de escola, Mulla, entraram para o Hanoar há Oved, o movimento da juventude trabalhista patrocinado pela Histadrut, a federação geral do trabalho. E 43 anos depois, Mulla Cohen foi quem liderou a luta de Yitzhak Rabin para depor Peres da liderança do Partido Trabalhista.

A INTERNET, FACEBOOK E TWITTER CRIARAM COMUNICAÇÃO DE MASSA E ESPAÇOS SOCIAIS QUE REGIME ALGUM PODE CONTROLAR.

A escalada da “Massada política”, que teria início no Hanoar HáOved, foi sempre muito difícil para Shimon Peres. Este outro “caminho da cobra”, ou “de cobras”, pontilhado de armadilhas, seria percorrido solitariamente, sob o peso de fardos extras. A longa luta contra outro fundador de Israel e do partido Likud, Menachem Beguin, serve para ilustrá-lo: ele subia ao ringue, a tribuna do parlamento, como um boxeur que tem uma das mãos amarradas.

Quando o Partido Trabalhista, sob a liderança de Peres, estava para derrubar o Likud, eis que Yitzhak Rabin, ex-primeiro-ministro, publica seu livro de memórias em que o descreveu assim: “É um intrigante antigo que não se detém diante de nada para realizar as suas ambições. Ele usa e abusa das mentiras e das meias verdades. O Sr. Peres não pode pretender o acesso às funções de primeiro-ministro pois ele jamais vestiu um uniforme”. Como Peres derrotaria o eletrizante Menachem Beguin sofrendo ataques de dentro da cúpula do próprio partido?

Pode ser que Peres não tenha vestido um uniforme militar, mas desligá-lo do exército, como o fez o rival Rabin, é  injustiça: afinal, ele foi o diretor geral das forças de defesa de Israel aos 29 anos, vice-ministro da Defesa aos 36, e ministro da Defesa entre 1974-77. Peres participou tão ativamente do desenvolvimento do exército israelense, armando-o nuclear, eletrônica e tecnologicamente, que um de seus biógrafos, Matti Golan, equiparou-o à sua “espinha dorsal”. Já Yitzhak Rabin, não: no mesmo livro de memórias, acusa-o de ter passado as 53 primeiras horas do sequestro do Airbus de Air France para Entebe, em julho de 1976, sem encomendar um urgente plano de resgate ao Estado-Maior. Peres dá outra versão: por ela, Rabin fora informado da “operação Entebe” no momento em que era viável desencadeá-la.

Anos depois, os dois se reconciliaram, unidos para uma nova batalha contra o Likud, então liderado por Yitzhak Shamir, político criado no mundo secreto do Mossad. 

Como ao escorregar em Massada, Peres conservou para sempre a qualidade de se recompor rapidamente, e a obstinação para recomeçar do princípio. Quem o primeiro descobriu para a escalada politica foi “o velho”, foi David Ben Gurion, o primeiro primeiro-ministro de Israel. Ele o mandou como delegado ao Congresso Sionista na Basileia, Suíça, em 1946, o primeiro depois do holocausto nazista e  da II Guerra Mundial. Até então, Peres tinha trabalhado em agricultura, ordenara vacas e pastoreara cabras até se alistar na Haganá, o exército judeu clandestino na Palestina do Mandato Britânico. Escrevia também uma coluna num semanário, “Diário de uma Mulher”, assinando-a como se fosse mulher mesmo, e se saía tão bem que uma leitora enviou um comentário à redação: “Finalmente, uma autêntica mulher”.

Quando vivia no kibutz Alumot, Peres recebia cartas de uma moça apaixonada, mas escritas por alguns de seus companheiros. Suas respostas, depois, eram compartilhadas por todos, até dramatizadas. Quando ele ficou sabendo,  desapareceu por um ano. Sonya, filha do carpinteiro Gelman, tornar-se-ia sua esposa, em 1945, e os dois viveriam em Ramat-Aviv, ao norte de Tel-Aviv, até 2007, quando discretamente se separaram. O casal defendeu sempre sua privacidade com fanatismo. Poucos tomaram conhecimento.

peres-e-sonia

Namoro com Sonya e o enterro

shimon-011411-1425712727

Peres falou da separação só muito mais tarde em entrevista ao jornal Yedioth Aharonoth, quando já circulava que a abreviatura Gal substituía o Peres na caixa postal de Sonya, nascida Gelman. A causa que os separou foi a insistência dele em se manter na política.

“Eu disse a ela: eu servi o país, o povo, toda minha vida. Isso é o que me preenche: não sei sequer o que seja descanso – descanso para mim é como morrer. Mas Sonya retrucou: você já fez o suficiente. Há outros que podem servir o país agora”.

Inconciliáveis, separaram-se, mas não se divorciaram. Ele foi para Jerusalém, ela ficou em Ramat-Aviv. Sonya morreu em 2011, aos 88 anos. O casal teve três filhos, um deles piloto da Força Aérea, oito netos e três bisnetos.

A animosidade contra Peres em seu próprio partido seria consequência da primeira fase da escalada da “massada política”, rápida, passando à frente de veteranos como “Sharett, Lavon, Eshkol, Golda e Sapir, que se consideravam, todos, os verdadeiros herdeiros do ‘velho’, David Ben Gurion. Mais tarde, a sua união com Moshe Dayan no “Rafi”, que rompeu com o PT, provocaria novas inimizades. De crise em crise, e depois do trauma da guerra do Yom Kippur, em 1973, restou para Peres a imagem do homem de infinita paciência, um arquiteto de compromissos.

QUANDO VOCÊ ESTÁ DIANTE DE DUAS ALTERNATIVAS, A PRIMEIRA COISA A FAZER É PROCURAR UMA TERCEIRA NÃO IMAGINADA E QUE AINDA NÃO EXISTE.

Esta seria a última vez em que Peres tentaria chegar ao topo de sua escalada pelo “caminho da cobra”. Se escorregasse, outros disputariam a liderança do partido, principalmente Yitzhak Navon, ex-presidente, e o outro Yitzhak, o Rabin, ex-primeiro-ministro. A campanha os mostrou unidos. E as sondagens de opinião pública deu ao partido o favoritismo do eleitorado.    

Mas o que Shimon Peres estava propondo?

Em primeiro lugar, Peres não aceitava o convite feito pelo Likud para formar um governo de união nacional. Queria dos eleitores o voto maciço pelo Partido Trabalhista, evitando assim que os pequenos partidos impusessem seus programas.

Depois, ele não separava economia de política externa, porque em Israel uma depende da outra ainda hoje: na época, a guerra no Líbano e a colonização na Cisjordânia consumiam muito dinheiro e não eram decisões econômicas, mas politicas. Preocupava-se ainda com a paz “fria” com o Egito, pretendendo ampliá-la para a Jordânia, como acabou ocorrendo, em 1994.

peres

A estreia de Shimon Peres como primeiro-ministro, em 1977, foi breve: ele substituiu Yitzhak Rabin, que renunciou ao perder a maioria no parlamento por causa de uma conta bancária no exterior e por perder o apoio de partidos religiosos ao receber os primeiros F-15 dessacralizando o shabat. Os aviões atrasaram pousando depois do pôr do sol de sexta-feira. Foi o fim de 30 anos de hegemonia do Partido Trabalhista.

Eleito Menachem Beguin, o incansável Peres assumiu a presidência do Partido Trabalhista e a vice-presidência da Internacional Socialista. Mas, durante esse período, por um acordo de rotatividade com o Likud sob Yitzhak Shamir, voltaria à cadeira de primeiro-ministro de 1984 a 86, herdando o desastre econômico da Guerra do Líbano do general Ariel Sharon — que, como ele, saiu da política com um derrame cerebral irreversível, em 2006; e que, ainda como ele, passou os últimos dias no hospital Tel Hashomer, em Ramat Gan.

4135649995

Com Arafat e sua mulher, Sonya

VOCÊS SABEM QUEM É CONTRA A DEMOCRACIA NO ORIENTE MÉDIO? OS MARIDOS. ELES SE ACOSTUMARAM À VIDA TRADICIONAL MAS É PRECISO MUDAR. SE VOCÊ NÃO DER DIREITOS IGUAIS ÀS MULHERES, NÃO HAVERÁ PROGRESSO.

 

Nomeado ministro das Relações Exteriores em 1992, Peres iniciaria as negociações de paz com os palestinos que lhe renderam, e a Rabin e a Yasser Arafat, o prêmio Nobel da Paz de 1994. Então, o imprevisível o levaria a reassumir de novo o cargo de primeiro-ministro — e, de novo, em substituição a Rabin, assassinado por um fanático religioso judeu, durante uma manifestação pela paz em Tel-Aviv.

A escalada da “massada política” transforma Peres em Sísifo. Chega ao topo carregando pedra, mas ela cai rolando montanha abaixo. O topo pode ser qualquer das múltiplas funções que ele alcançou em Israel, nas quais, como próprio da política, não pode se perpetuar. Passou 60 anos no Partido Trabalhista, mas o abandonou para se unir a um novo partido fundado pelo primeiro-ministro Ariel Sharon, o Kadima (Adiante, Pra frente), em 2006. Foi ministro do Desenvolvimento do Neguev e da Galileia e vice-primeiro-ministro por um ano, quando se tornaria o nono presidente de Israel e, mais até, o primeiro israelense a ter tido os dois maiores cargos do país.

Curioso na metáfora da escalada de Massada é o sonho que atormentava o general Moshé Dayan depois que ele revelou aos israelenses, quando esse tipo de confidência não era comum, estar com câncer, e à morte. Convidou alguns jornalistas à sua casa – e eu estava entre eles — para contar que em muitas noites sonhava que escalava uma montanha sem conseguir chegar ao topo e ver o que havia lá que tanto o mobilizava. Uma vez ele viu. Eram os túmulos de seus pais. Morreu pouco depois.

PENSO QUE A PAZ DEVE SER OBTIDA NÃO SOMENTE ENTRE GOVERNOS, MAS ENTRE POVOS. ISTO ERA IMPOSSÍVEL ANTES DO FACEBOOK.

Shimon Peres foi o último fundador de Israel a morrer. Chegada a hora da passagem da tocha, como na Olimpíada. Nos últimos anos, ele era o político mais querido dos jovens. “Darling”. Por que rejuvenescera fascinado com a nanotecnologia numa nação de startups. Entrou no Facebook. No Twitter. Dava entrevistas pelas redes sociais. Os gênios de Silicon Valley não deixavam de visitá-lo passando por suas filiais e laboratórios em Israel.

“Para mim”, dizia Peres, “sonhar é simplesmente ser pragmático”.

5972726096072490490no-1

Sentado no Iron Throne

Os aiatolás do Peru

A novidade é a notícia, antiga, ser publicada neste domingo, 31 de julho, pela agência do Estado Islâmico (EI), Amaq. A notícia reproduz uma reportagem do jornal pan-árabe Asharq Al-Awsat sobre o avanço do xiismo iraniano no Peru e, de lá, para outros países sul-americanos. Enfim, os aiatolás estão chegando. Numa breve passagem pela Argentina, em 1994, deixaram um saldo de 84 mortosO Irã político e religioso chegou ao Peru, de onde quer se espalhar para outros países da América do Sul.

 

hezbollah-755x380

http://notihoy.com/libanes-detenido-en-peru-reconocio-ser-miembro-de-hezbollah/

O Irã político e religioso chegou ao Peru, de onde quer se espalhar para outros países da América do Sul.

A informação é de Asharq Al-Awsat, 1º jornal pan-árabe impresso em 4 continentes. A reportagem sobre o Peru iranizado foi reproduzida pela agência de notícias do Estado Islâmico, EI.

Por que esta notícia, requentada, foi publicada hoje? pe

Muitos peruanos já se converteram ao xiismo e fundaram uma entidade a que batizaram de Hezbollah Branch in Peru, cópia do libanês. O objetivo declarado é o de importar a revolução iraniana.

A maioria dos convertidos peruanos é da região montanhosa de Abancay. É dali que 20 homens foram levados à Teerã para serem doutrinados em xiismo.

O programa de TV Punto Final, do Peru, mostrou um grupo de jovens peruanos com um sheik xiita reivindicando o direito de propagar o xiismo da mesma forma como é permitido ao cristianismo.

A polícia peruana deteve alguns suspeitos ligados ao Hezbollah libanês quando entravam no Peru. Um especialista em influência iraniana na América Latina, Joseph Humire, diz, citado na reportagem, que o Irã financia o Hezbollah do Peru “com dinheiro de contrabando”.

1iraO “aiatolá” de Caracas, Nicolás Maduro, dá apoio integral à implantação do Hezbollah na América do Sul. O falecido coronel Chávez e o então líder iraniano Ahmanidejah tiveram uma relação intensa, boa parte da qual misteriosa. O Irã é acusado de ter participado diretamente do atentado contra a Associación Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994, que deixou um total de 85 mortos.

Massacre do dia da Bastilha

Promenade_des_AnglaisA Promenade des Anglais é uma avenida larga, só para pedestres, ao lado do Mediterrâneo. Turistas a consideram o melhor passeio em Nice, na Riviera Francesa. Bons cafés, hotéis famosos, algumas praias pagas, pista para bicicleta e paraíso dos skatistas. São sete quilômetros de comprimento. É nela que se dança no carnaval. Ontem, 14 de Julho, Dia da Bastilha, programado um show de fogos de artifício, a Promenade, “Prom“, como a chamam, lotou. Então, às 22h30, um caminhão branco alugado, dirigido por  um tunisino, entrou na avenida dos pedestres e os atropelou durante dois quilômetros, quando foi parado a tiros. Restaram 84 mortos no asfalto. E uma pergunta: quando e onde será o próximo atentado terrorista?

nice3

O massacre do Dia da Bastilha em Nice foi apenas mais um. E o Brasil, com as Olimpíadas, que tome as precauções possíveis. O terror vive de visibilidade e o mundo reunido no Rio, a “cidade maravilhosa”, é uma atração irresistível.

Acontece que o Califado já perdeu 45% de seu território no Iraque e 20%, na Síria, atacado por forças que vão dos Estados Unidos e Rússia a aliados sunitas da Arábia Saudita. Ah, e pela França também: por isso Paris, e agora Nice, já foram alvos preferenciais, mais ainda pela extensa comunidade islâmica francesa à qual não faltam radicais.

bagdad

Al-Bafhdadi

O califa Ibrahim Awwad Ibrahim Ali al-Badri al-Samarrai Baghdadi,  nome de guerra Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico (EI), já antecipava, no começo do ano, que produziria “dias escuros” para os países da coligação que o estão atacando. “O que virá será mais devastador e amargo”, ele prometeu.

Uma lista com 1.700 nomes de condenados à morte pelo EI circulou nas últimas semanas, distribuída pelo seu braço virtual, a United Cyber Caliphate. A instrução para islamitas “lobos solitários” que moram nos EUA, França, Bélgica, Espanha, Turquia e outros países foi curta, direta: “Matem todos”. O FBI não é afeito à publicidade. Neste caso, porém, seus agentes procuraram alguns dos listados que moram em Nashville, no Texas. Seriam cidadãos comuns, não políticos ou militares, escolhidos ao acaso para disseminar o medo de que qualquer um pode estar na mira. Vazou que alguns dos alvos são membros da igreja católica e de sinagogas.

TORRES GEMEAS WTC 02 NEW YORK TWIN TOWER LEALTUDO

Outro motivo que leva o Califado a se exibir em atentados espetaculares, mesmo que visivelmente desesperados, é o ressurgimento das cinzas da Al Qaeda, que perpetrou o maior atentado terrorista da história, o 11 de Setembro (em 2001), derrubando as torres gêmeas em New York e uma ala do Pentágono, em Washington. Esta semana o filho de Bin Laden apareceu para dizer que vingará a morte do pai.

O EI nasceu no Iraque filho da Al Qaeda, mas os dois grupos não se entenderam e estão rompidos. Incrível: o que os separou foi o grau de brutalidade que cada um desfere em suas vítimas e na população das cidades conquistadas, como se

bin

Bin Laden

fizesse muita diferença jogar aviões em prédios e decapitar prisioneiros. Por que não matar com tiros em vez de degolar ante câmeras de TV? Um estrategista do terror, Adam Gadahn, nascido nos EUA, aconselhou a Ossama Bin Laden, em carta datada de janeiro de 2011, que renegasse o “filho” iraquiano, porque, do contrário, “sua reputação se degradaria mais e mais”. A ruptura foi formalizada quando o EI estendeu o Califado à Síria, jurisdição que pertencia ao grupo Frente Al Nusra, fiel a Al Qaeda.

Em papéis encontrados no último refúgio de Bin Laden leem-se reflexões como esta: “(…) essa violência indiscriminada desembocou na perda do apoio dos muçulmanos para os muhajedins”. Al Qaeda queria “recuperar a confiança perdida” no mundo islâmico. Isso explica a sua aplicação light das leis da sharia, como permissão para que mulheres vestissem calças e para que todos possam escutar música, mas lá no Yemen. Resumindo, um grupo pretendia refletir a imagem de moderado enquanto o outro mergulhava em banhos de sangue com transmissão ao vivo pela televisão. Para Bagdadi, o espetacular tem um efeito fundamental.

Outras diferenças são de origem. Bin Laden tinha diploma universitário e vinha de família de classe alta saudita. Já um de seus comandantes, o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, que partiu para fundar EI, nasceu na pobreza no reino da Jordânia e cercou-se de criminosos. Foi morto em 2006, no Iraque. A Al Qaeda recrutou combatentes no Afeganistão nos anos 80, enquanto o Califado os atraiu, jovens, iraquianos e sírios crescidos em guerras — e depois abriu-se para uma legião estrangeira de voluntários do mundo todo.

O risco maior, agora, é a paz entre Al Qaeda e EI. Ou uma competição entre eles pelos maiores atentados.

 RASTRO DE SANGUE

No primeiro trimestre de 2016, lançou 891 ataques na Síria e Iraque, matando 2150 pessoas;

Em outubro de 2015, derrubou um avião russo com 220 passageiros, explodindo-o no ar com bomba caseira de 1 quilo de TNT, colocada a bordo no aeroporto de Sharm el-Sheikh, um oásis no deserto do Sinai.

bata

Bataclan

Em 13 de novembro de 2015, em ataques coordenados em Paris matou 128 pessoas, a maioria se divertindo numa discoteca tradicional, Bataclan.

Em 22 de março de 2016, sacudiu  o aeroporto de Bruxelas, com três explosões. Mortos: 30 pessoas.

Em 12 de junho de 2016, um atirador “lobo solitário” matou 50 pessoas na boate gay Pulse, em Orlando, Estados Unidos.

Em 28 de junho 2016, um ataque suicida matou 44 pessoas e feriu mais de 200 no aeroporto Ataturk, em Istambul, na Turquia.

images

Aeroporto Ataturk

Em 1º de julho de 2016, depois de 11 horas de impasse, um grupo afiliado ao EI matou 20 reféns num restaurante em Daca, Bangladesh, a maioria estrangeiros.

Em 7 de julho, um carro bomba matou 281 pessoas no final do jejum de mais um dia do Ramadã, numa área de comércio de Bagdá, Iraque.

Isto os jornais não contam

Amigos meus escreveram o livro  Isto o Jornal não Conta, na capa assinado pelo veterano e ótimo jornalista Fernando Portela. Pego o título emprestado, passo-o para o plural, e conto aqui apenas um entre tantos casos que aconteceram comigo em redações, para além das notícias. Não foi o único, nem o último.

Anti-Bullying-website-banner

Consultei a doutora Marie-France Hirigoyen em 1998, quando o sucesso de seu primeiro livro, Assédio Moral, repercutia muito na imprensa francesa. Ela recomendou:

“Reaja ou se demita”.

Reagi. Fui demitido.

Escrevi este artigo que circulou apenas na internet, e por pouco tempo, porque recusado por jornais e revistas. Cortei o nome do personagem porque ele se desculpou anos depois. Mas os estragos ficaram, não têm reparo e mudaram o destino de minha família.

Quando nos conhecemos, num jantar em Nova York, meu novo chefe foi dizendo: “Você é o nosso melhor correspondente”. Mas, num almoço no dia seguinte, com um amigo comum, ele iniciou um perverso processo para me substituir nos Estados Unidos. Conseguiu.

   Quando nos reencontramos em 1998 num novo emprego, ele no Brasil e eu na França, trocamos e-mail: “Nosso homem em Paris!”, ele escreveu. Retribui, deletando o passado que o condenava, e desejando-lhe “sucesso”. Fui demitido.

   Qualquer chefe tem o poder de demitir quem não queira. Mas torturar, não. A dose dupla de tortura de que fui vítima me levou à pesquisa de um fenômeno no mundo do trabalho batizado de bullying (tiranizar), na Inglaterra; mobbing (molestar), nos Estados Unidos; harcèlement moral (assédio moral), na França; e murahachibu (ostracismo social), no Japão. Algumas vítimas se matam. Outras são tratadas com antidepressivos ou tranquilizantes. Muitas pedem demissão e renunciam a direitos de indenização, dando vitória ao bully, ao tirano. E há as que resistem.

   A primeira pessoa a denunciar a tirania nas relações de trabalho foi uma jornalista inglesa, Andrea Adams. Ela escreveu dois documentários para a BBC Rádio 4, de Londres, que provocaram uma enxurrada de cartas de ouvintes. A inesperada repercussão a levou a publicar um livro, Bullying At Work, em 1992. Até alguns dias antes de morrer, com câncer, em 1995, ela fez campanha para tornar o psicoterrorismo no trabalho um delito como o assédio sexual.

   “Ir ao trabalho é como entrar na jaula de um animal imprevisível para enfrentar outra semana de crucificação profissional”, disse Adams em seu último discurso, para sindicalistas, em maio de 1994. Um drama clandestino sofrido por um mínimo de 12 milhões de europeus, segundo uma pesquisa pioneira da Organização Internacional do Trabalho, em 1996, e pela média de 2 milhões de americanos por ano, incluindo assaltos contra taxistas, na estatística de 1998 do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. No Japão, uma experiência telefônica, a “bullying hot-line”, atendeu a 1.700 consultas só em um mês. Como o poder de um tirano se mantém pelo medo que cala suas vítimas, impossível medir o fenômeno em escala mundial.

   Há inúmeras formas de tiranizar um empregado. Adams as resumiu em alguns exemplos: marcar tarefas com prazos impossíveis; passar alguém de uma área de responsabilidade para funções triviais; tomar crédito por ideias de outros; ignorar ou excluir um funcionário só se dirigindo a ele através de terceiros; segurar informações; espalhar rumores maliciosos; criticar com persistência; e subestimar esforços. O processo é lento. As agressões, sutis. As reclamações serão interpretadas como choque de egos, atribuídas a uma nova forma de administração, à reorganização, reengenharia, senão rejeitadas. Não há lei que não a do mais forte.

   marie-france-hirigoyenA psiquiatra francesa Marie-France Hirigoyen (foto à esquerda) escreveu o livro Le harcèlement moral (O Assédio Moral): La violence perverse au quotidien (A violência perversa no cotidiano). Os cinco mil exemplares da primeira edição esgotaram-se rapidamente. Outros 60 mil, em seguida. O livro apareceu em português, editado pela Bertrand Brasil, depois de traduzido para 12 idiomas. A revista Le Nouvel Observateur consagrou-lhe uma capa, com o título: “Esses colegas e patrões que o deixam louco”. Os colegas entram no título como cúmplices: temem pelo próprio emprego. Quem for solidário com uma vítima poderá se tornar a próxima.

   Hirigoyen traça o perfil do tirano. É um “narcisista perverso”, que acha o próprio equilíbrio descarregando em outro a dor que não consegue sentir e as contradições internas que se recusa a perceber. Uma sanguessuga: procura fora de si a substância para sua vida. Tem um senso grandioso da própria importância. Vive absorvido em fantasias de sucesso ilimitado e de poder. Pensa ser especial e único. Precisa muito de admiração. Acha que tudo lhe é devido. Inveja os outros. Comporta-se com arrogância. Explora todos nas relações interpessoais. E posa de referência, de padrão do bem, do mal e da verdade.

   -As vítimas são impotentes? Nada podem fazer?

   – Elas têm que aprender a se proteger, a dizer não – respondeu Hirigoyen.

   – Mas, como dizer não?, com o desemprego em alta?

   – Há um momento em que a opção é a saúde mental, ou o emprego. Tenho uma paciente que se demitiu para preservar sua personalidade.

   – A vítima fica só, sem a solidariedade dos colegas — comentei.

   – Solidariedade não existe, é cada um por si.

assc3a9dio-moral-indignados

    “Aqueles que podem, podem. Os que não podem, tiranizam” – proclama na Internet o Bully OnLine (www.successunlimited.co.uk), criado por Tim Field, autor do Bully in Sight (Tirano na Mira), guia que ensina a prevenir, resistir e combater o assédio moral no trabalho. Ele acrescenta atributos ao mais comum dos tiranos, os que praticam serial bullying, a destruição em série de empregados. É vingativo, quando só, mas inocente, diante de testemunhas. Médico e monstro, como Jekyll & Hyde. Mente compulsiva e convincentemente. E torna-se agressivo, se chamado à responsabilidade.

   O bully também produz uma vítima indireta. É o patrão, que continuará pagando o salário ao empregado que já não está mais podendo funcionar bem. Ele ainda arcará com as consequências de um ambiente de trabalho deteriorado, lembra o professor alemão Heinz Leymann.

   Só existia legislação para proteger as vítimas de assédio moral na Suécia, Alemanha, Itália, Austrália e Estados Unidos, quando escrevi este artigo. A Organização das Nações Unidas (ONU) anexou à Declaração dos princípios fundamentais de justiça uma nova e abrangente definição de vítima. “Vítimas são as pessoas que, individual ou coletivamente, sofreram um dano à sua integridade física ou mental, um sofrimento moral, uma perda material, ou uma ofensa grave a seus direitos fundamentais, como consequência de atos ou de omissões que ainda não constituem violação da legislação penal nacional, mas que representam violações de normas dos direitos do homem reconhecidas internacionalmente”.

   Hirigoyen encoraja vítimas de harcèlement “a virem a público” – para ela uma poderosa forma de levar a Justiça a uma tomada de consciência, como no assédio sexual.

   Por enquanto, as vítimas brasileiras da guerra de nervos no trabalho estão perdidas. Um chefe pode abusar do poder impunemente. Ou o empregado se submete à lenta destruição por golpes mesquinhos e covardes, que acabam acertando toda a sua família, ou vai embora. “O silêncio e o vazio cercam aos poucos a pessoa visada”, diz Hirigoyen. “Às vezes, a solidão é tal que vira rápido um drama”. Mas ela pergunta à “sociedade cega diante desta forma indireta de violência:

   — Não nos tornaremos cúmplices, por indiferença?”

assedio-moral-e-crime12-jpg

O assédio do sucesso

A psiquiatra francesa Marie-France Hirigoyen quer se proteger de um tipo inesperado do assédio que denuncia e combate desde 1998, quando escreveu seu livro Assédio Moral – A violência perversa no cotidiano, que vendeu 450 mil exemplares em 27 países.

   “Tudo se tornou assédio moral”, diz a doutora Hirigoyen. “Virou moda”.

   É o assédio do sucesso. A Assembléia Nacional da França votou em 11 de janeiro de 2001 uma emenda que introduz a noção de assédio moral nas leis do trabalho. O projeto de lei 13.288, de 10 de janeiro de 2002, da Câmara Municipal de São Paulo, prevê suspensão, multa e demissão para os chefes tiranos, baseado em estudos da doutora Hirigoyen. Surgiram associações e sites na internet em defesa de empregados acossados. O tema ficou popularizado com capas de revistas e em páginas de jornal.

   O assédio moral passou a ser usado, indevidamente, como sinônimo de estresse, ou para condenar a pressão normal de um chefe para que o subordinado trabalhe mais. Foi por isso que a psiquiatra Hirigoyen escreveu um novo livro, Mal-estar no trabalho – Redefinindo o Assédio Moral, lançado em português pela editora Bertrand Brasil.

   “Não se deve atribuir tudo ao assédio moral”, ela diz. “É preciso distinguir o que é do que não é, mesmo porque, do contrário, não se poderá mais agir para punir ou prevenir. Antes que um caso seja identificado como assédio moral alguém de fora deveria investigá-lo e emitir um parecer, como sugere um projeto de lei belga”.assedio moral é crime

   Agora que fixou limites para o assédio moral, a doutora Hirigoyen vai mudar de assunto: “Não quero me repetir e muita gente está escrevendo livros sobre o tema, com poucas diferenças”. Talvez ocorram mudanças também entre seus pacientes. “Na Europa estão surgindo especialistas, não necessariamente psiquiatras, que tratam de assédio, tanto individual como coletivamente”.

   Será difícil para a doutora Hirigoyen ficar imune ao assédio do assédio moral. “Totalmente, não. Ainda recebo cartas de todas as partes do mundo”. Formada em medicina na França, em 1978, especializou-se em psiquiatria e psicanálise, e depois em vitimologia nos Estados Unidos. Ela também faz conferências. “Numa no México, um homem começou a chorar, reconhecendo: es mi vida, es mi vida… Qualquer que seja o país ou a cultura, o problema é o mesmo, são formas de ataque e sofrimento iguais, só o contexto difere, em função de maior ou menor proteção social. Em alguns lugares, o assédio se desenvolve sutil, escondido. No Brasil a violência no ambiente de trabalho é ostensiva”.

   O Brasil “está muito avançado”, em comparação à Europa e aos Estados Unidos. “Vejo que cada vez mais o mundo do trabalho tende a se individualizar. No fundo, cada pessoa, diante do assédio moral, se encontra só. Por isso a lei é importante: ela permite que o indivíduo ouse reagir”.

48080341.cached

Como reagir

Primeiro da turma de 1975 de Ciência da Computação na Universidade Staffordshire, na Inglaterra, Tim Field especializou-se em assédio moral no trabalho, na prática, ao ser forçado a sair de um emprego, em 1994. Hoje, ele mantém um serviço de aconselhamento por telefone e na internet, escreve livros e dá consultas a empresas e sindicatos. Entre seus clientes ingleses estão vários departamentos de polícia, o correio, o ministério da Defesa e algumas universidades.

   Depois de responder a 3 mil telefonemas e receber 26 mil visitas no seu site da internet, Tim Field chegou aos conselhos básicos para quem quiser reagir a um chefe tirano. Aqui, um resumo dos que se aplicariam às vítimas brasileiras.

* Lembre-se de que um chefe tirano projeta em suas vítimas as próprias fraquezas profissionais e morais. Assim, não as introjete.

* Sentir vergonha, dificuldade, culpa e medo é uma reação normal, mas imprópria se render ao tirano o controle e silêncio de sua vítima.

* Não se pode enfrentar sozinho um chefe tirano. Procure ajuda. Consulte o departamento médico de sua empresa.

* Aprenda o máximo que puder sobre assédio moral no trabalho.

* Supere toda falsa percepção sobre assédio moral, como a de que se trata apenas de uma forma dura de chefiar, ou de reorganização empresarial.

* Anote tudo. Não é um único incidente que conta, mas a regularidade com que acontece, o seu padrão e o conjunto.

* Guarde cópia de cartas, memorandos e e-mails.

* Faça um diário com as reclamações e críticas do chefe tirano. Se puder obtê-las por escrito, tanto melhor. Se as tiver pedido, e não for atendido, registre. A repetida recusa de justificar ou substanciar faltas cobradas pode ser usada como prova de assédio.

* A tiranização no trabalho estressa. Se o médico a diagnosticar, que inclua a causa – as condições no local de trabalho.

* Reclame do assédio moral ao escalão superior. Mas, cuidado: em geral, o tirano é que receberá o apoio de cima.

* Não se deixe levar pela armadilha da saúde mental: os sintomas e efeitos do assédio moral são uma lesão psiquiátrica, não doença mental.

* Uma licença médica deve ser registrada como acidente de trabalho, e a sua causa, a opressão do chefe tirano, denunciada ao empregador.

* Se o chefe tirano fizer suas críticas em público, procure um advogado para adverti-lo, por carta, que ele é passível de processo por difamação e calúnia.

* Considere demitir-se como uma decisão positiva, uma opção entre saúde e emprego.

* Se forçado à demissão, denuncie a causa ao empregador, por escrito, e oriente-se com um advogado antes de assinar qualquer documento.

* Considere tornar público o seu caso.

  

REINO desUNIDO

A saída do Reino Unido da União Europeia pegou os jornais britânicos muito além do horário de fechamento normal. Mas a maioria deles deu um jeito de publicar a notícia histórica, para muitos inesperada. A revista The Economist saiu, como todas as semanas, na quinta-feira, o dia do plebiscito, com a capabeijo dedicada à inteligência artificial, mas avisou on-line que faria outra edição para o BREXIT, com circulação local. Feito:  ilustrou-a com a bandeira britânica rasgada ao meio, como o próprio país dividido. 950

20160625_ldd300

Ilustração na The Economist

Outros jornais europeus também esperaram a contagem dos votos. (Os jornalões brasileiros não tiveram tanto problemas de horário). Aqui, algumas capas selecionadas.

 

 

 

 

O terror em 102 capas

NY_DN

O Daily News responsabiliza a poderosa National Rifle Association, que zela pelos direitos de quem quer se armar nos Estados Unidos, pela carnificina na boate gay em Orlando, com 50 mortos e 53 feridos.

“Sem palavras”, o Tampa Bay Times (TBT), da cidade vizinha à tragédia de Orlando, publica uma rosa multicolorida. Na capa do Orlando Sentinel, um editorial para cicatrizar feridas abertas pelo massacre. Os jornais RedEye (Chicago) e Oregonian (Oregon) optaram por frases, como “Diante do ódio e violência, amaremos uns aos outros”, ou apelos à união, em suas capas sem fotos nem manchetes.

FL_TBFL_OSOR_TO

Aqui o panorama da noite do terror em Orlando em 102 capas de jornais dos EUA e do mundo

Este slideshow necessita de JavaScript.

S