Vou embora do Facebook

Estou suspenso por seis dias do Facebook. Fui “punido” porque postei um álbum de fotos preciosas com habitantes dos mais remotos rincões do planeta. Alguns são índios. Esta coleção de culturas remotas é de um fotógrafo italiano que a expôs em museus e galerias.

O problema para o Facebook são os índios. Deveriam estar vestidos. Censurado, reclamei. Recebi um pedido de desculpas no final do dia. Ao acordar, porém, estava de novo proibido de postar por seis dias. Reclamei de novo. Outro pedido de desculpas, seguido do aviso de que continuava cumprindo a pena do Facebook.

Foto do fotógrafo italiano Mattia Passarini

Não é a primeira vez que me censuram. Houve outra quando postei um novo livro sobre Salvador Dali. Então, decidi: basta. Lamento pelos cinco mil amigos que fiz postando informações sobre atualidade no mundo, design, capas criativas de jornais e revistas internacionais, curiosidades ou depoimentos pessoais. Mudo para este blog, que já mantenho desde que decidi tirar do baú os textos de que mais gosto entre a cobertura que fiz como correspondente em Israel, Estados Unidos e França, e ainda como enviado especial a locais de conflitos, furacões, eleições e tragédias.

Mas quero acrescentar que o Facebook, que se dá ao direito de censurar, está sendo de novo acusado, justamente hoje, de ter compartilhado o meu, o seu, o nosso perfil, multiplicado por milhões de usuários em todo o mundo. Isso pode? É crime! A privacidade exposta sem autorização é muito mais grave que a foto de uma índia seminua em Papua Guiné. Neste ano de 2018 já no fim, cada mês, e em alguns meses, cada semana, o Facebook foi denunciado por abrir seus arquivos a empresas gigantes de tecnologia. O fundador e CEO Mark Zuckerberg está gastando bilhões tentando corrigir as falhas flagradas. Caiu a publicidade. Caíram as ações em 35%. Respeitados e célebres executivos estão abandonando bruscamente o Facebook e as empresas que a orbitam, como Instagram, Oculus e WhatsApp.

Ao todo, 30 milhões de contas do Facebook tiveram a privacidade violada. Mas quem paga o pato somos nós, o baixo clero, com nossos inocentes posts que exibem alguma nudez. Lembro a censura que veio com o golpe de 1964 no Brasil. Um dia recebemos a instrução de que poderíamos publicar apenas um dos seios de uma mulher desnuda, pulando o carnaval ou desfilando numa escola de samba. O Facebook está evoluindo para o retrocesso.

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